quarta-feira, 26 de julho de 2017

Crítica: Valerian e a Cidade dos Mil Planetas (Valerian and the City of a Thousand Planets) . 2017


What a fun ride! Para quem achava que lhe ia sair totalmente o tiro pela culatra, Valerian e a Cidade dos Mil Planetas é uma agradável surpresa que nos transporta para dentro de um universo extravagante, cujo o objectivo principal é entreter. Não se enganem, pois não será nada mais. Desprovido de grande intelectualidade e até brincando demasiado com a parte sentimental da coisa, Luc Besson continua a teimar enveredar por caminhos apertados, caminhos esses que o impedem de obter os resultados necessários. No entanto Valerian destaca-se pela capacidade de entreter o espectador utilizando uma dinâmica aceitável durante um pouco mais de duas horas de filme.

Em pleno século XXVIII, Valerian (Dane DeHaan) e Laureline (Cara Delevingne) são agentes da unidade de humanos da policia espacial, que em tempos pacíficos e de harmonia vivem numa galáxia que aprendeu a viver consoante as diferentes culturas e conhecimentos dos habitantes de múltiplos planetas. Valerian tem um sonho estranho sobre um planeta desconhecido, onde habitantes de uma raça desconhecida extraem pérolas que contém energia e usam uma espécie animal para as multiplicar. Nesse sonho o planeta é completamente dizimado. Valerian e Laureline recebem então uma missão, cujo objectivo é recolher em segurança um desses mesmos animais que Valerian vislumbrou no seu sonho e para o fazer terão de o resgatar de um dealer do mercado negro.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Crítica: Dunkirk . 2017


Perante a inércia daqueles que se viram encurralados pelos horrores da Segunda Grande Guerra, Christopher Nolan representa o lado bárbaro da mais dolorosa fase da história da humanidade. Dunkirk é para uns pouco fiel, para outros uma obra prima do cinema, para mim um filme com a sua importância que tanto conta com momentos absolutamente gloriosos, como com falhas difíceis de ultrapassar para quem o visiona.

Escrito e realizado por Christopher Nolan, Dunkirk relata acontecimentos passados naquela que foi intitulada como a Batalha de Dunquerque onde soldados britânicos e franceses ficaram encurralados no nordeste da França, pelas forças Alemãs durante a Segunda Guerra Mundial. Cercados por todos os lados, na costa francesa e sem grande escapatória, aqueles que lá se encontravam temiam o pior e já davam a batalha como vencida, quando para espanto de todos um número considerável de pequenos barcos e navios privados ajudaram no resgate a mais de 300.000 homens das praias de Dunquerque ao longo de todo o canal, acabando por ser tão importante no sucesso do resgate desses homens como os grandes navios da marinha. Uma demonstração de solidariedade por parte do povo britânico que viria a marcar de forma significativa o papel do cidadão comum durante a guerra.

Como fã de filmes de guerra, acho que a parte técnica é fulcral num filme do género, mas aqui essa parte sobrepõe-se ao resto. A dificuldade é tentar perceber se essa era realmente a intenção. O facto de ser tão bom a nível técnico acaba por nos fazer sentir um pouco dentro do filme, titular de uma sonoplastia fantástica e de uma ensurdecedora banda sonora de Hans Zimmer, que trabalha lado a lado com Nolan, na construção dos acontecimentos que são apresentados de forma visual sublime, com planos incríveis quer seja em terra, no mar ou no ar. Uma das coisas que considero mais interessantes é o facto de nunca vermos o inimigo. Algo que raramente (ou nunca) é feito em filmes do género e só por aí lhe atribuo uns pontos extra, pois a tensão também se constrói muito em parte por causa disso, retratando a constante insegurança e impotência do que é estar na pele de alguém que se encontra completamente desorientado perante aquele cenário. Enquanto Nolan preferiu apostar mais nesse lado, desprovendo os personagens de laços de emotividade, (quem sabe propositadamente, generalizando, para demonstrar que todos somos iguais perante situações de sobrevivência) seria bom tê-los vistos um pouco mais desenvolvidos, nem que fosse na partilha de experiências de guerra ali passadas. A verdade é que os personagens principais não conseguem ser capazes de criar grande empatia com a audiência (mau casting talvez!?), mas a força das imagens, combinadas com o som, e o medo do desconhecido, provocou em mim um nervoso miudinho, nem que fosse pelo lado humano do retrato de angustia das circunstâncias retratadas.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

flash review : Okja . 2017


Okja, de Bong Joon Ho (2017)

Para qualquer amante de animais, é difícil não ficar emocionado com aquilo que constatamos aqui. Uma história sobre amizade, mais propriamente a amizade entre humanos e animais, que só quem sabe o valor que estas relações têm pode entender. Okja foi bastante comentado desde a sua estreia no Festival de Cannes há uns meses, e o burburinho foi tal que criou em mim diferentes ideias daquilo que estaria afinal perante mim. Muito mais que um filme sobre amizade, Okja é um filme sobre politica e direitos, que poderia ter arriscado muito mais, mas que não desaponta na bonita mensagem que transmite. Apesar da falta de desenvolvimento de algumas ideias ou da necessidade de inserir cenas em contexto, a fasquia mantém-se elevada com as magnificas performances da protagonista Ahn Seo-hyun, a camaleónica Tilda Swinton e de um Jake Gyllenhaal super tresloucado! Não podemos esquecer o adorável Okja, pelo qual aproveito para elogiar a qualidade de efeitos especiais que transportam super-porcos para os dias de hoje. Bong Joon Ho fez um filme fofinho, mas com conteúdo.

Classificação final: ★★★★

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Crítica: Baywatch: Marés Vivas (Baywatch) . 2017


Não posso mentir, ver um filme com o Dwayne Johnson está a tornar-se um serissímo guilty pleasure! O tipo tem carisma, e não é à toa que é um dos mais bem pagos do momento. Baywatch: Marés Vivas é daqueles casos em que fazer um filme sobre o tema era estritamente desnecessário, mas que já se sabe que vai facturar milhões. Basicamente, aqui estamos perante uma compilação gigante de episódios da série de sucesso dos anos 90 com o mesmo nome, com momentos de pura parvoíce de fácil gargalhada, mas de ficam um pouco à quem da originalidade, colocando-se no mesmo patamar que muitas outras que temos visto ultimamente.

O tenente Mitch Buchannon (Dwayne Johnson) e a sua equipa de nadadoras salvadoras, Stephanie Holden (Ilfenesh Hadera) e C. J. Parker (Kelly Rohrbach) vigiam e protegem as praias da Flórida criando uma divisão de elite intitulada de Baywatch. Quando uns pequenos sacos de droga começam a aparecer na posse dos frequentadores da praia, Mitch começa a investigar o que o leva até à empresária de sucesso na área, Victoria Leeds (Priyanka Chopra). Prontos a prestar provas para entrar para a equipa estão a surfista Summer (Alexandra Daddario), o nerd gorducho Ronnie (Jon Bass) e o campeão olímpico Matt Brody (Zac Efron), que apenas se prestou a provas por estar sob um acordo de trabalho comunitário. Juntos vão tentar desmantelar a rede de tráfico de drogas na área que começa a provocar insegurança e a ameaçar o bem estar em toda a costa.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

CINEPHILIA | Moulin Rouge! (2001)


Viva a celebração do amor! Moulin Rouge! pode ter todos os defeitos do mundo e mesmo assim consegue ser incrivelmente cativante, entrando no ano de 2001 para a categoria de filmes para ver antes de morrer. Baz Luhrmann constrói uma ode moderna ao romantismo, contendo todos os truques necessários para o sucesso de uma história de amor, por vezes bem lamechas, outras vezes bem original, divertido, colorido, glamoroso e apaixonante. É estranho como a sua estranheza se entranha facilmente e uma irresistível vontade de o rever cresce, provocando até aos menos susceptíveis aos temas amorosos um certo bichinho armado em cupido com graves repercussões que causam sintomas de visionamentos em loop.

Tudo se passa em 1900. Christian (Ewan McGregor), um jovem poeta britânico, decide tentar a sua sorte em Paris, considerada por muitos como cidade boémia e cheia de liberdade onde tudo é possível para um artista e triunfar é fácil. Por lá é acolhido pelo pintor Toulose-Lautrec (John Leguizamo) e seus amigos, habituais frequentadores do Moulin Rouge, o famoso bordel de Harold Zidler (Jim Broadbent), onde reina o sexo, as drogas e o cancan de inúmeras e belíssimas mulheres. A maior estrela de todas é Satine (Nicole Kidman), e Christian fica absolutamente rendido aos seus encantos. Loucamente apaixonado, Christian é confundido com o poderoso Duque de Monroth (Richard Roxburgh), potencial investidor do cabaret, e Satine acaba por se apaixonar também por ele. Christian acaba por viver uma paixão arrebatadora, percebendo o verdadeiro sentido do amor, que tem tanto de belo como de trágico, pois mais vale viver um grande amor do que nunca ter vivido amor algum.

Considerado por muitos como um dos piores dos últimos tempos, Moulin Rouge! é dos tais que se ama ou se odeia. Frenético, exagerado, extravagante é um autentico espectáculo visual que contém um pequeno toque de muitas das histórias de amor mais famosas de sempre. Baz Luhrmann usa a música para contar uma história, misturando elementos modernos e modificando letras e arranjos de forma a que sejam adaptadas e inseridas num contexto próprio. A música como elemento de cultura pop é contrastada com o ambiente La Boheme francês criando um ambiente interessante e uma forte conexão com a audiência. O enredo é inspirado essencialmente nas obras de Verdi, Puccini e Offenbach, transformando a visão do que seriam as operetas do século XIX. O componente teatral está sempre presente, desde o aspecto cenográfico à representação do elenco de peso, liderado por Nicole Kidman e Ewan McGregor, que imortalizam Satine e Christian, e os transformam num dos casais mais carismáticos do cinema. À medida que vamos avançando na história, esta fica mais sombria, nunca perdendo o encanto, mas largando aos poucos a alegria mergulhando na tristeza profunda de um amor que sabemos que não irá prevalecer. O estilo muitas vezes sobrepõe-se à substância, mas nunca tentar ser algo mais do que é suposto.

É impossível não admirar o esforço criativo de todos os aspectos do filme, que sem medo de arriscar foram pioneiros numa viragem no que toca ao estilo musical em Hollywood, onde o tradicional e o moderno se transformam e se complementam. É fácil entrar no espírito e viver esta experiência espectacular, onde a musica e as cores retratam o poder do amor.

"The greates thing you'll ever learn is just to love and be loved in return".

terça-feira, 4 de julho de 2017

flash review : The Discovery . 2017


The Discovery, de Charlie McDowell (2017)

E se num futuro próximo existissem provas de vida para além da morte? Através da descoberta de um cientista essas provas estão comprovadas e uma grande percentagem de pessoas no mundo começa a cometer suicídio. Restam apenas alguns sépticos, nomeadamente o filho desse mesmo cientista e uma mulher misteriosa que desperta o seu interesse. The One I Love (2014), o filme anterior do realizador Charlie McDowell foi tão bom que as expectativas para este estavam altas e talvez por conta disso tenha saído mais decepcionada do que satisfeita. Uma variável de grandes ideias muito mal desenvolvidas e Jason Seagle que não sobressai num papel que parece não encaixar na perfeição na sua pele. A química entre ele e Rooney Mara é quase inexistente e forçada, e nem ela nem Robert Redford conseguiram tornar isto um bocadinho mais interessante. Apesar de todo o seu potencial, a verdade é que nada aqui se destaca verdadeiramente.

Classificação final: ★★★

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Crítica : O Muro (The Wall) . 2017


A maior parte dos filmes de guerra, optam por cenários de combate onde a acção no terreno é o principal campo de batalha do bem contra o mal. Em O Muro o principal cenário são na realidade os vestígios de uma guerra que mesmo depois de acabar continua a semear dum lado um lugar que é dado por conquistado, por outro vingança e revolta. Realizado por Doug Liman (The Bourne Identity, Edge of Tomorrow) este é um thriller de ritmo lento, mas muito intenso que prende do inicio ao fim.

Estamos em 2007 e a Guerra do Iraque está oficialmente acabada. Quando Allan Isaac (Aaron Taylor-Johnson) e Shane Matthews (John Cena), dois army rangers são destacados para responder a um pedido de socorro, deparam-se com um cenário um pouco estranho. Camuflados à distancia, observam que no terreno se encontram oito corpos sem vida e algo de muito estranho se passa. Tudo indica que será um trabalho de um sniper, mas não havendo certezas Matthews sente-se demasiado confiante para descer ao terreno e investigar mais de perto. Quando aparentemente o que parecia tranquilo, transforma-se num autentico jogo de gato e rato, quando Matthews é atingido e põe também em risco a vida de Isaac que para tentar socorrer o companheiro, acaba por se refugiar, ferido atrás de um muro de pedras.

domingo, 25 de junho de 2017

Crítica: Mulher Maravilha (Wonder Woman) . 2017


A DC Comics têm deixado todos um pouco com um pé atrás. Desde os tempos da trilogia The Dark Night que os filmes têm vindo a perder o brilho e o interesse que Christopher Nolan colocou outra vez no mundo dos super heróis e foi preciso uma senhora para restituir o brilho desses tempos! Patty Jenkins realiza este Mulher Maravilha cheio de girl power, mas acima de tudo conjugando uma realização competente, com um argumento bem estruturado com uma história que segue os seus princípios até ao fim, aliada a uma mensagem importante sobre valores humanos e muito carisma no que toca aos seus personagens.

Na ilha escondida de Themyscira, casa das guerreiras amazonas criada pelos deuses do Olimpo para proteger a raça humana, nasceu e foi educada Diana (Gal Gadot), filha de Hippolyta (Connie Nielsen) e Zeus, que deixou a essas guerreiras uma arma poderosa capaz de matar o seu filho Ares, Deus da Guerra. Hippolyta acredita que Ares nunca irá regressar, mas a sua irmã Antiope (Robin Wright) treina Diana para ser guerreira, mesmo contra a vontade da mãe. Quando o avião do espião americano Steve Trevor (Chris Pine) cai na ilha de Themyscira, a ilha é invadida por militares Alemães que o perseguem, o que compromete o secretismo em torno da ilha mágica criada pelo rei dos deuses. Ao ver a fúria e o ódio dos homens perante si, Diana decide voltar para o mundo dos homens com Steve, para combater Ares acreditando que ele é o responsável pelo cenário da Primeira Guerra Mundial, que encontra assim que chega a Londres.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

flash review : Colossal . 2016


Colossal, de Nacho Vigalondo (2016)

Uma mulher alcoólica descobre que uma série de eventos catastróficos a ocorrer na Coreia envolvendo um monstro kaiju, têm de alguma forma conexão com as suas atitudes enquanto embriagada, tudo isto consequência do seu estado emocional. Aqui percebemos que estamos perante algo criativo e único. Colossal é diferente do que estamos habituados a ver, algo que advém desta nova onda de filmes ligados ao género do horror / thriller que tão bem têm animado o panorama dentro do género. É muito interessante como consegue ser por vezes incomodativo pela forma como a violência e a agressividade das palavras e dos actos são apresentados, tudo com o objectivo de abordar temas sociais relevantes. Apesar de alguns toques de comédia nele contidos, consegue ser muito mais dark do que imaginávamos quando nos deparamos com os temas do alcoolismo ou da doença mental, bem ilustrados pelos protagonistas Anne Hathaway e Jason Sudeikis. Um filme sobre os monstros escondidos dentro de cada um de nós, e sobre a forma como podemos mudar o rumo às coisas menos boas se acabarmos com eles.

Classificação : ★★★★½

sábado, 17 de junho de 2017

flash review : Free Fire . 2017


Free Fire, de Ben Wheatley (2017)

Pode não ser a coisa mais original que já viram nas vossas vidas, mas é sem dúvida a mais divertida e bem conseguida que vão ver no decorrer deste ano. Grandes personagens, situações hilariantes e tudo isto passado num só local. Como cenário temos um armazém abandonado em plenos anos 70 e dois gangs rivais a tentar negociar armas. No meio de tanta testosterona encontramos também por lá Brie Larson, uma miúda com fibra que apesar de se ver metida em sarilhos, consegue sobressair no meio de tanto homem. As balas vão voar e tudo acaba por se transformar num jogo de sobrevivência. A combinação perfeita entre acção às carradas e gargalhadas às carradas. Sharlto Copley, Sam Riley e especialmente Armie Hammer estão deliciosos. Free Fire a ilustrar que os homens (e os seus egos) conseguem ser uns grandes totós. Ver um bando de gente aos tiros nunca foi tão divertido!

Classificação : ★★★★★

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Crítica: Alien: Covenant . 2017


Ridley Scott regressa ao universo Alien, com Covenant o follow up de Prometheus, que em 2012 não causou o melhor dos impactos aos fãs da saga - do qual pessoalmente gostei - revelando-se bastante complexo, levantando suspeitas sem nunca evidenciar nada em concreto criando um certo misticismo em torno da origem da existência dos alien. Ao contrario disso, Covenant revela até demais, acabando um pouco com o mistério em torno do da origem das criaturas mais assustadoras de sempre do cinema sci-fi.

A história já é familiar. Passados dez anos dos eventos de Prometheus, a tripulação da nave Covenant percorre o espaço destinada a começar uma colónia num planeta distante da Terra que dá pelo nome de Origae-6. Os membros da tripulação são compostos por casais, cuja missão é manter em segurança 2000 colonos em hibernação espacial, que irão habitar no novo planeta. E aqui estamos novamente perante os primórdios da saga, onde elementos que já conhecemos são novamente abordados. Ridley Scott resolve voltar ao cerne da questão, optando por voltar a aterrorizar a audiência com a presença assustadora dos Xenomorph, fazendo também revelações sobre a criação da sua espécie.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

ALIEN . RETROSPECTIVA


Esta semana com a chegada de Alien: Covenant, de Ridley Scott, faço uma retrospectiva apenas pelos primórdios filmes Alien (ficando a faltar ainda outra sequela Alien: Ressurection de 1997 realizado por Jean-Pierre Jeunet e a prequel Prometheus de 2012 que trouxe de volta Ridley Scott ao universo Alien), a franquia que deu a conhecer ao mundo a destemida Tenente Ellen Ripley e os temíveis Alien ou se preferiram Xenomorph.

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ALIEN (1979)

Há 38 anos atrás, Ridley Scott apresentava ao mundo a saga que o tornaria num dos realizadores mais consagrados da sua era. Alien, serve ainda hoje de referência para muito do que é feito dentro do género do sci-fi e do terror, marcando gerações e desencadeando interessantes teorias e mistérios ao longo destes anos. Sigourney Weaver surpreendia todos, saltando para as luzes da ribalta em Hollywood, com a corajosa Ellen Rippley, representando uma das personagens femininas mais badass de sempre, colocando numa posição de heroína e figura importante que fortalecia o papel da mulher perante mentalidades mais conservadoras. Perante um retrato do desconhecido, Alien mergulhava nas profundezas do universo criando uma atmosfera crescente em suspense e claustrofobia, capaz de inquietar a cada revelação chegando ao climax perfeito, a um ritmo perfeito. 

Abordo da nave Nostromo, já de regresso ao planeta Terra, estão sete tripulantes em hibernação espacial. Quando é detectado um misterioso sinal transmitido de um planetóide a tripulação acorda, investiga a situação e dá de caras com uma atmosfera inusitada, onde uma nave alienígena com uma enorme carcaça no seu interior, parecendo ter explodido, contém dentro do seu peito vários ovos, um dos quais lança uma criatura para o rosto de um dos membros da equipa. A tensão entre membros da equipa vai aumentando, existindo confrontos entre todos perante a inesperada situação.

Alien é um dos mais assustadores filmes de sempre, permanecendo na mente dos que o vêem. Simples e efectivo. Por mais que o queiram imitar, nada bate a construção perfeita desta original pérola não só do sci-fi, mas também do horror.

terça-feira, 9 de maio de 2017

Crítica: Música a Música (Song to Song) . 2017


Sabemos bem que Terrence Malick tem um jeito especial de fazer filmes, onde por vezes chega a ser difícil explicar o existente fascino pelas suas obras. Apesar de parecer, este não é definitivamente um filme sobre música, é mais uma vez um filme sobre pessoas e relações, sem nunca esquecer o habitual voiceover que acompanha a beleza natural que é a vida, aos olhos do realizador. Nem sempre equilibrado, nem sempre claro, mas é difícil não admirar o trabalho tão próprio e intimo de Malick.

Com o cenário central do South by Southwest Music Festival, o famoso festival de música da cidade de Austin no Texas, Música a Música segue os caminhos entrelaçados de dois casais, a aspirante a música Faye (Rooney Mara), o produtor musical Cook (Michael Fassbender) namorado de Faye, BV (Ryan Gosling) outro músico e também namorado de Faye, e a insegura empregada de mesa Rhonda (Natalie Portman) que casa com Cook. A cima de tudo esta é uma história sobre paixão, sedução, ambição e traição onde tentamos desvendar as peças soltas de um puzzle, através da peculiar narrativa de Terrence Malick, sempre complexa e sempre diferente. 

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Crítica: Foge (Get Out) . 2017


A maior parte das vezes em que a comédia se mistura com o horror, a probabilidade de sucesso não é garantida. Exige um balanço certo para que haja a resposta pretendida para provocar o interesse. Foge consegue não só esse equilíbrio, num tom perfeito que ilustra uma forte mensagem racial, mas ao mesmo tempo satírica das sociedades de hoje em dia, sobretudo do estigma racial americano que acompanha a América ao longo da sua história. Escrito e realizado por Jordan Peele, Foge traz uma certa frescura não só ao género do thriller/horror psicológico, mas também à usual trama em que famílias de namoradas acabam por se transformar numa valente dor de cabeça.

Chris Washington (David Kaluuya) é um fotografo afro-americano a namorar com Rose Armitage (Allison Williams), uma bela rapariga branca e classe média alta cuja família possui uma quinta nos arredores da cidade. Apesar dos receios de Chris, Rose organiza uma viagem de fim de semana à casa da família para lhes apresentar o mais recente pretendente, mas durante a estadia Chris fica cada vez mais perturbado com os comportamentos suspeitos por parte do pai (Bradley Whitford), da mãe (Catherine Keener) e do irmão (Caleb Landry Jones) da namorada. Para além da família, os serventes da casa, também eles negros, parecem ter atitudes estranhas e Chris sente-se cada vez mais intrigado e desconfortável. As suspeitas de que algo está realmente errado ficam mais evidentes, aquando da chegada de amigos da família para uma festa anual que parece ter sido marcada propositadamente. Mas afinal, o que está realmente a acontecer!?

terça-feira, 25 de abril de 2017

Crítica: Guardiões da Galáxia Vol.2 (Guardians of the Galaxy Vol.2) . 2017


Qual Avengers, qual quê!? Guardiões da Galáxia Vol. 2 é o melhor casting da Marvel! Mais uma vez, somos presenteados com um gang super cool e divertido, onde apesar de faltar uma narrativa fundamentada, se complementa através de personagens cheios de carisma, sequências de acção muito bem coreografadas e um forte lado humorístico que não deixa ninguém indiferente.

Na sequência de abertura passada nos anos 80, vemos Meredith Quill a viver um romance com o ser extraterrestre Ego (Kurt Russell), do qual resultara o nascimento de Peter Quill (Chris Pratt). Trinta e quatro anos depois, passados os eventos para derrubar Ronan the Accuser, voltamos a encontrar Star-Lord, Gamora (Zoe Saldana), Rocket Raccoon (Bradley Cooper), Baby Groot (Vin Diesel) e Drax (Dave Bautista) agora um grupo de renome, numa missão para a líder dos Sovereign (Elizabeth Debicki) em troca da posse de Nebula (Karen Gillan) irmã de Gamora. Quando Rocket decide roubar umas baterias aos Sovereign, estes acusam-nos de traição, retaliando imediatamente contra a nave dos Guardiões. Forçados a aterrar num planeta desconhecido, o grupo de amigos dá de caras com Ego que diz ser pai de Quill. Mas esta aparição inesperada provoca não só vários sentimentos em Quill, mas também no resto da equipa que estava longe de imaginar o perigo que estava a correr.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Crítica: Velocidade Furiosa 8 (The Fate of the Furious) . 2017


Pergunto-me porque é que continuo a ver isto. A verdade é que nem eu sei responder. A franquia Fast and Furious não tem, nem nunca teve pudor em definir as suas intenções e finalidade, mais uma vez, sem surpresas, estamos perante um show de acrobacias velozes que de credíveis têm pouco, despejadas num loop frenético que parece continuar a atrair mesmo aqueles que nem acham assim tanta piada a isto (yeah me!).

Na sequência de abertura em Havana, Dominic Toretto (Vin Diesel) e Letty (Michele Rodriguez) tem a tarefa de fazer os fãs matar saudades do verdadeiro espírito Fast and Furious dos primeiros filmes. Logo ali temos um vislumbre que em conjunto com as doses elevadas de entretenimento vai misturar-se o melodrama que irá trazer a grande carga emocional, nem sempre presente em filmes anteriores. Cipher (Charlize Theron) é a ciber terrorista que irá fazer não só uns quantos estragos pelo mundo, mas também atormentar a cabeça de Toretto, brincando com sentimentos da equipa e fazendo revelações ligadas ao passado mais recente. Hobbs (Dwayne Johnson) também está de volta assim como algumas caras familiares como Deckard (Jason Statham).

sábado, 8 de abril de 2017

Crítica: A Bela e o Monstro (Beauty and The Beast) . 2017


A cada anunciar de um novo remake da Disney, é sempre difícil imaginar os clássicos mais queridos da nossa infância a ser readaptados em obras live-action. Bill Condon conseguiu transportar a magia de A Bela e o Monstro de volta a 2017 e transforma-o numa autentica delicia, que demonstra mais uma vez o porquê de ser uma das mais belas e mais significativas histórias que a Disney já fez.

Este conto já todos sabemos de cor. Bella (Emma Watson) é uma jovem e ambiciosa rapariga, que vive numa pequena vila francesa com o seu pai Maurice (Kevin Kline). Numa das viagens de Maurice ao mercado da cidade mais próxima para vender pequenas caixas de música que constrói, ele e o seu cavalo Phillipe perdem-se na floresta e são capturados por um feroz Monstro (Dan Stevens). Ao ver o pai capturado pela terrível criatura, Bella decide trocar a liberdade do pai pela sua, num castelo medonho onde os objectos têm vida. Com o passar do tempo, apercebe-se que o Monstro é afinal um príncipe, que derivado ao seu feitio arrogante e presunçoso, se encontra amaldiçoado por uma bruxa, assim como os servos do seu castelo. Para quebrar o feitiço precisa de um verdadeiro amor que o faça voltar à fase humana ou então ficará com um aspecto aterrador o resto da sua vida.

domingo, 2 de abril de 2017

Crítica: Vida Inteligente (Life) . 2017


O Sci-fi nunca é um género fácil e Daniel Espinosa resolveu aventurar-se por caminhos apertados. Com um passado mais recente baseado em thrillers como Child 44 (2015), Safe House (2012) ou Easy Money (2010), Espinosa avança para algo mais ambicioso em termos visuais, mas não tanto no que toca a um bom argumento. Com um elenco sólido, mas uma história que não surpreende, Vida Inteligente não passa de uma ideia saturada, mas que incrivelmente nos agarra ao ecrã, mesmo quando já sabemos bem aquilo que nos espera.

A bordo da International Space Station, os seis membros da tripulação (Jake Gyllenhaal, Rebecca Ferguson, Ryan Reynolds, Hiroyuki Sanada, Ariyon Bakare e Olga Dihovichnaya) têm a missão de estudar amostras recolhidas em Marte. A ideia é verificar que realmente existirá vida extraterrestre, tal como analisar o seu desenvolvimento, comportamento e inteligência. Ao fim de poucos dias, a progressão de um pequeno organismo marciano é incrível e as suas características são bastantes similares à de qualquer ser humano. O entusiasmo acerca desta pesquisa é enorme e o pequeno ser é apelidado de Calvin, referido com afecto como se de um humano se tratasse, e o misticismo e encantamento por parte de todos transforma-se em algo extremamente perigoso, quando sem contar se apercebem que Calvin se prepara para atacar, ficando cada vez mais forte, cada vez que o faz. E até aqui, o filme até que era interessante...

quarta-feira, 22 de março de 2017

Crítica: Logan . 2017


Praticamente desde o inicio da sua carreira cinematográfica que Hugh Jackman é Wolverine. Vê-lo abandonar esse percurso é extremamente doloroso, sendo esta infelizmente última experiência de Jackman no papel, um dos mais interessantes e complexos personagens de BD de sempre. James Mangold realiza e co-escreve esta viagem com uma grandiosidade emocional quase nunca vista antes num filme do género.

Em 2029, o futuro não é assim tão diferente quanto imaginamos. O mundo continua tal e qual como o conhecemos, à excepção do número de mutantes existentes. Logan aka Wolverine (Hugh Jackman) ganha a vida como motorista no Texas, é agora uma figura muito mais amargurada do que aquela que nos acostumamos e aguenta o dia-a-dia a beber para atenuar a dor dos tormentos do passado. Apesar de viver uma vida bastante discreta, ao lado do seu velho amigo de longa data Charles Xavier (Patrick Stewart), Logan é descoberto por Donald Pierce (Boyd Holbrook) um mercenário caçador de mutantes que procura Laura (Dafne Keen), uma jovem rapariga que partilha de habilidades semelhantes às de Logan, mesmo quando se acreditava que nenhum mutante havia nascido nos últimos vinte e cinco anos.

domingo, 12 de março de 2017

Crítica: São Jorge . 2017


Este é o retrato da crise que Marco Martins decidiu mostrar. O retrato dos pobres que ficaram ainda mais pobres, dos bairros que no linear da pobreza continuam a passar muitas vezes despercebidos. São Jorge é o reflexo das consequências da crise, que muitas vezes incitam ilegalidade, marginalidade, violência, criando a instabilidade social e emocional de um país. Nuno Lopes está grandioso e interpreta aqui um personagem triste e frustrado, vivendo a angustia presente em muitas famílias afectadas pelo monstro económico.

Com a chegada da troika a Portugal em 2011, o numero de endividamentos aumentou astronomicamente. O recorrer aos créditos fáceis passou a ser um dos recursos mais utilizados para tentar sobreviver à crise instalada. Posto isto, surgem inúmeras agências que compram dividas e fazem de tudo para conseguir o retorno das mesmas. Jorge (Nuno Lopes) é um pugilista que lida com a realidade do desemprego, vivendo num bairro social, o que perante a sociedade não facilita nada as coisas. Ao lidar com a possível ida do filho Nelson (David Semedo) e da ex-mulher Susana (Mariana Nunes) para o Brasil, Jorge vê-se obrigado a procurar trabalho como cobrador de dívidas numa dessas agências, deparando-se com realidades semelhantes à sua, de indivíduos que como ele, tentam todos os dias sobreviver a um país na banca rota, na esperança que o dia seguinte seja melhor.

sexta-feira, 3 de março de 2017

Critica: T2: Trainspotting . 2017


O regresso de Danny Boyle a Trainspotting era para mim uma incerteza. Mexer naquilo que é bom, é 90% das vezes má ideia, mas surpreendentemente, os quatro rebeldes saídos dos livros de Irvine Welsh, continuam mais interessantes que nunca, respeitando o legado do filme de culto, considerado dos mais vibrantes da década de 90.

Vinte anos após a fuga de Edimburgo, Mark Renton (Ewan McGregor) volta à terra Natal para se reencontrar com os amigos Spud (Ewen Bremner) e Simon (John Lee Miller). Apesar de se encontrarem em fases diferentes das suas vidas, o que os une e bem mais forte do que aquilo que os separa, e vêem-se obrigados a regressar atrás no tempo, algo nada fácil por todas as razões que conhecemos. Rapidamente percebemos que vida não foi propriamente generosa para com nenhum deles e inconscientemente ainda anseiam pela mudança e alegria de quando eram jovem. A cumprir uma sentença de vinte e cinco anos na prisão está Begbie (Robert Carlyle), que consegue escapar quando lhe é recusada liberdade condicional, e que assim que descobre que Mark está de volta à cidade, procura vingança.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Crítica: Moonlight . 2016


Não é muito comum um filme de baixo orçamento, andar nas bocas do mundo. Mas tal como aconteceu com Manchester By The Sea, no inicio do ano em Sundance, também este Moonlight marcou a diferença mal 2016 tinha começado. Não podemos negar que este é um dos filmes mais interessantes do ano. Não propriamente pela história que nos apresenta, mas pela forma tão próxima como nos é apresentada a homossexualidade na comunidade africana nos Estados Unidos, algo nunca antes (e tão bem) explorado no cinema.

Dividido em três partes, revemos um pouco da história de vida do protagonista, revivendo algumas das situações mais marcantes que passou durante a sua infância, adolescência e idade adulta. [I. Little] Chiron (Alex Hibbert) é apenas um miúdo envergonhado e reservado, que vive com a mãe abusiva (Naomie Harris), que mal sabe cuidar dela quando mais de um filho. Chiron começa desde cedo a saber lidar com situações difíceis, devido ao vicio das drogas da mãe, ao mesmo tempo que ganha cumplicidade com o Juan (Mahershala Ali) o dealer da zona. [II. Chiron] Já no secundário, as ameaças e o bullying começam a ser constantes, e o medo de assumir o sua verdadeira personalidade impedem-no de ser um jovem realmente feliz. Chiron (Ashton Sanders) apaixona-se por um colega de escola, e depois de ter a sua primeira experiência sexual, sofre mais uma desilusão. [III. Black] Aparentemente um homem diferente do menino que conhecemos no inicio, mas no seu intimo apenas o pequeno "little", Chiron (Trevante Rhodes) continua mais frágil do que podemos imaginar e um reencontro inesperado irá despertar sentimentos antigos, mas nunca esquecidos.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Crítica: Vedações (Fences) . 2016


Directamente dos palcos da Broadway para o cinema, Denzel Washington toma pela terceira vez o lugar de realizador, revivendo também o mesmo papel de protagonista que interpretou em 2010 na peça que dá agora origem a esta versão cinematográfica, Vedações, adaptada da peça do premiado dramaturgo August Wilson.

Algures durante os anos 50, Troy (Denzel Washington) é um homem de meia idade que luta diariamente para tentar proporcionar à sua mulher Rose (Viola Davis) e ao seu filho Cory (Jovan Adepo) o melhor que a vida lhe permite. Troy vive preso ao passado, tendo dificuldade em assumir as suas frustrações, quando revoltado se recorda dos tempos que era um bom jogador de baseball, mas a cor da sua pele o impediu de avançar na carreira e ter uma vida estável. Agora que o filho tem a oportunidade de seguir as suas pisadas, podendo aceitar uma bolsa como jogador de futebol na liga escolar, Troy impede-o de o fazer, não só com medo que a discriminação racial lhe trave um caminho de sucesso que também podia ter conseguido, mas também pelo sentimento de inveja que lhe é impossível esconder. A pedido de Rose, Troy está encarregue de construir uma vedação em torno da casa da família, que tem como principal objectivo de manter afastadas as coisas que não pertencem ao lar, do lado de fora. Mas esta vedação tem um significado emocional muito maior do que aquilo que aparentemente podemos pensar.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Crítica: Elementos Secretos (Hidden Figures) . 2016


Nunca é demais mostrar que em tempos, infelizmente não tão distantes como isso, a América vivia consoante o seu "esquema das cores", onde o factor racial era definitivo para alcançar uma carreira de sucesso. Elementos Secretos conta a história verídica de três mulheres que quebraram uma importante barreira, que se tornou determinante. É acima de tudo um feel-good movie que até consegue transmitir a mensagem inspiradora que carrega, mas da forma mais trivial possível.

Baseado no livro homónimo de Margot Lee Shetterly, Elementos Secretos conta a história de três matemáticas afro-americanas a trabalhar na NASA, em particular na pessoa de Katherine G. Johnson (Taraji P. Henson) que calculou ou trajectos do Projecto Mercúrio - programa espacial americano cujo objectivo seria colocar um homem em orbita e trazê-lo de volta à Terra em segurança - que colocava os americanos à frente na corrida espacial contra a União Soviética durante os anos 50/60. Num mundo maioritariamente liderado por homens, em tempos em que ainda estavam à frente de tudo as diferenças raciais, este é um filme sobre a luta pela igualdade não só de género mas também racial, em que a principal mensagem é transmitir que o sentido de união faz a força e assim se consegue marcar toda a diferença.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Crítica: Jackie . 2016


Jacqueline Kennedy é quase uma figura mitológica do século XX. Muito se tem especulado acerca da sua figura, mas a verdade é que nunca tinha sido profundamente explorada no cinema anteriormente, comparando com as vezes que John F. Kennedy o foi. Infelizmente ainda não é desta que podemos ficar plenamente satisfeitos, pois estamos perante um filme bastante inconstante, mas curiosamente recheado de alguns momentos brilhantes. Um filme do qual queremos mesmo gostar, mas cujos erros se tornam difíceis de ignorar.

Aqui percorremos os três dias mais trágicos da vida da eterna viúva dos Estados Unidos. O dia em que o Presidente John F. Kennedy é assassinado em Dallas, no Texas, e os dias que se seguiram. Pelo meio estão representados através de flashbacks estes e outros momentos da sua vida, enquanto Jackie (Natalie Portman) é entrevistada no presente por Theodore H. White (Billy Crudup), um jornalista que pretende fazer um artigo sobre a sua dramática experiência para a revista Life. Existirá sempre um enorme fascínio por uma das figuras mais emblemáticas da história dos EUA, não só pelos escândalos associados à sua vida matrimonial, mas também pela curiosidade constante que continua a existir sobre a verdadeira Jackie por detrás do mito e da ideia da perfeita dona de casa americana, respeitadora e braço direito do marido em qualquer circunstancia. 

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Crítica: La La Land - Melodia de Amor (La La Land) . 2016


Damien Chazelle surpreendeu todos, ao fazer da sua segunda longa metragem um sucesso digno de realizador experiente em Hollywood. A sua produção independente Whiplash (2013), tinha a qualidade de qualquer filme de grande estudio e os olhos ficaram de imediato postos neste jovem de 32 anos, que escreve e realiza como gente grande, onde já merecidamente o podemos classificar como um dos melhores da nova era.

Los Angeles, a cidade dos sonhos. Mia (Emma Stone) é uma aspirante a actriz, a trabalhar numa coffee shop de um estúdio de cinema. Sebastian (Ryan Gosling) é um pianista de jazz, debatendo-se por encontrar um trabalho onde possa ser dono da sua criatividade. O destino dos dois cruza-se e juntos vão descobrir que o amor e os sonhos são algo verdadeiramente poderoso. Cada vez passam mais tempo juntos e um carinho especial surge. A ambição de triunfar é imensa pela duas partes, e assim é também o amor que os une, mas será que tudo é realmente perfeito e possível na cidade dos sonhos?

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Crítica: Fragmentado (Split) . 2016


M. Night Shyamalan é odiado por muitos, e eu gosto de dizer que é incompreendido por todos. A verdade é que cada vez que um filme seu estreia nas salas, todos ficam em pulgas para o ver. Muitos dizem que atingiu o seu apogeu logo no seu terceiro trabalho, O Sexto Sentido em 1999, mas eu diria que apesar de uns deslizes gravíssimos na carreira - e mais vale esquecer O Último Airbender (2010) e Depois da Terra (2013) - Shyamalan continua a ser fiel a si próprio, e coloca Fragmentado no top 5 dos seus melhores filmes.

Três jovens adolescentes, Claire (Haley Lu Richardson), Marcia (Jessica Sula) e a reservada Casey (Anya Taylor-Joy), são raptadas num parque de estacionamento de um restaurante quando o pai de uma delas se prepara para as deixar em casa. Sob a personalidade de Dennis, Kevin Crumb (James McAvoy), um homem que sofre de Transtorno Dissociativo de Identidade cujos diferentes comportamentos estão associados às vinte e três personalidades contidas na sua identidade, é o responsável pelo rapto e leva-as para uma divisão da sua casa onde as mantém em cativeiro. Sem sabermos ao certo porquê, Casey é a única que estranhamente consegue lidar com o comportamento inconstante das personalidades de Kevin, que enquanto as mantém escondidas em segredo, vai visitando regularmente a psiquiatra Dra. Karen Fletcher (Betty Buckley) que conheça a suspeitar da frequência dessas visitas.