sábado, 27 de maio de 2017

Red Nose Day Actually . 2017

A muito esperada curta-metragem, da adorável comédia romântica Love Actually de 2003, foi finalmente cedida online pela NBC, para contentamento de todos nós! 

A iniciativa partiu para ajudar uma campanha de pobreza infantil, na qual todos os actores se disponibilizaram para participar sem receber qualquer cachet. Passado 14 anos, voltamos a rever caras como Colin Firth, Hugh Grant, Keira Knightley, Liam Neeson, Laura Linney, Chiwetel Ejiofor e até Lúcia Moniz, todos juntos num filme, por uma boa causa.

Tem isto grande relevância no mundo do cinema? Não. Mas são 15 minutos de pura nostalgia. Deliciem-se com este pequeno filme em jeito de sequela, que nos mostra como está a vida dos personagens na actualidade.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

ALIEN . RETROSPECTIVA


Esta semana com a chegada de Alien: Covenant, de Ridley Scott, faço uma retrospectiva apenas pelos primórdios filmes Alien (ficando a faltar ainda outra sequela Alien: Ressurection de 1997 realizado por Jean-Pierre Jeunet e a prequel Prometheus de 2012 que trouxe de volta Ridley Scott ao universo Alien), a franquia que deu a conhecer ao mundo a destemida Tenente Ellen Ripley e os temíveis Alien ou se preferiram Xenomorph.

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ALIEN (1979)

Há 38 anos atrás, Ridley Scott apresentava ao mundo a saga que o tornaria num dos realizadores mais consagrados da sua era. Alien, serve ainda hoje de referência para muito do que é feito dentro do género do sci-fi e do terror, marcando gerações e desencadeando interessantes teorias e mistérios ao longo destes anos. Sigourney Weaver surpreendia todos, saltando para as luzes da ribalta em Hollywood, com a corajosa Ellen Rippley, representando uma das personagens femininas mais badass de sempre, colocando numa posição de heroína e figura importante que fortalecia o papel da mulher perante mentalidades mais conservadoras. Perante um retrato do desconhecido, Alien mergulhava nas profundezas do universo criando uma atmosfera crescente em suspense e claustrofobia, capaz de inquietar a cada revelação chegando ao climax perfeito, a um ritmo perfeito. 

Abordo da nave Nostromo, já de regresso ao planeta Terra, estão sete tripulantes em hibernação espacial. Quando é detectado um misterioso sinal transmitido de um planetóide a tripulação acorda, investiga a situação e dá de caras com uma atmosfera inusitada, onde uma nave alienígena com uma enorme carcaça no seu interior, parecendo ter explodido, contém dentro do seu peito vários ovos, um dos quais lança uma criatura para o rosto de um dos membros da equipa. A tensão entre membros da equipa vai aumentando, existindo confrontos entre todos perante a inesperada situação.

Alien é um dos mais assustadores filmes de sempre, permanecendo na mente dos que o vêem. Simples e efectivo. Por mais que o queiram imitar, nada bate a construção perfeita desta original pérola não só do sci-fi, mas também do horror.

terça-feira, 9 de maio de 2017

Crítica: Música a Música (Song to Song) . 2017


Sabemos bem que Terrence Malick tem um jeito especial de fazer filmes, onde por vezes chega a ser difícil explicar o existente fascino pelas suas obras. Apesar de parecer, este não é definitivamente um filme sobre música, é mais uma vez um filme sobre pessoas e relações, sem nunca esquecer o habitual voiceover que acompanha a beleza natural que é a vida, aos olhos do realizador. Nem sempre equilibrado, nem sempre claro, mas é difícil não admirar o trabalho tão próprio e intimo de Malick.

Com o cenário central do South by Southwest Music Festival, o famoso festival de música da cidade de Austin no Texas, Música a Música segue os caminhos entrelaçados de dois casais, a aspirante a música Faye (Rooney Mara), o produtor musical Cook (Michael Fassbender) namorado de Faye, BV (Ryan Gosling) outro músico e também namorado de Faye, e a insegura empregada de mesa Rhonda (Natalie Portman) que casa com Cook. A cima de tudo esta é uma história sobre paixão, sedução, ambição e traição onde tentamos desvendar as peças soltas de um puzzle, através da peculiar narrativa de Terrence Malick, sempre complexa e sempre diferente. 

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Crítica: Foge (Get Out) . 2017


A maior parte das vezes em que a comédia se mistura com o horror, a probabilidade de sucesso não é garantida. Exige um balanço certo para que haja a resposta pretendida para provocar o interesse. Foge consegue não só esse equilíbrio, num tom perfeito que ilustra uma forte mensagem racial, mas ao mesmo tempo satírica das sociedades de hoje em dia, sobretudo do estigma racial americano que acompanha a América ao longo da sua história. Escrito e realizado por Jordan Peele, Foge traz uma certa frescura não só ao género do thriller/horror psicológico, mas também à usual trama em que famílias de namoradas acabam por se transformar numa valente dor de cabeça.

Chris Washington (David Kaluuya) é um fotografo afro-americano a namorar com Rose Armitage (Allison Williams), uma bela rapariga branca e classe média alta cuja família possui uma quinta nos arredores da cidade. Apesar dos receios de Chris, Rose organiza uma viagem de fim de semana à casa da família para lhes apresentar o mais recente pretendente, mas durante a estadia Chris fica cada vez mais perturbado com os comportamentos suspeitos por parte do pai (Bradley Whitford), da mãe (Catherine Keener) e do irmão (Caleb Landry Jones) da namorada. Para além da família, os serventes da casa, também eles negros, parecem ter atitudes estranhas e Chris sente-se cada vez mais intrigado e desconfortável. As suspeitas de que algo está realmente errado ficam mais evidentes, aquando da chegada de amigos da família para uma festa anual que parece ter sido marcada propositadamente. Mas afinal, o que está realmente a acontecer!?

terça-feira, 25 de abril de 2017

Crítica: Guardiões da Galáxia Vol.2 (Guardians of the Galaxy Vol.2) . 2017


Qual Avengers, qual quê!? Guardiões da Galáxia Vol. 2 é o melhor casting da Marvel! Mais uma vez, somos presenteados com um gang super cool e divertido, onde apesar de faltar uma narrativa fundamentada, se complementa através de personagens cheios de carisma, sequências de acção muito bem coreografadas e um forte lado humorístico que não deixa ninguém indiferente.

Na sequência de abertura passada nos anos 80, vemos Meredith Quill a viver um romance com o ser extraterrestre Ego (Kurt Russell), do qual resultara o nascimento de Peter Quill (Chris Pratt). Trinta e quatro anos depois, passados os eventos para derrubar Ronan the Accuser, voltamos a encontrar Star-Lord, Gamora (Zoe Saldana), Rocket Raccoon (Bradley Cooper), Baby Groot (Vin Diesel) e Drax (Dave Bautista) agora um grupo de renome, numa missão para a líder dos Sovereign (Elizabeth Debicki) em troca da posse de Nebula (Karen Gillan) irmã de Gamora. Quando Rocket decide roubar umas baterias aos Sovereign, estes acusam-nos de traição, retaliando imediatamente contra a nave dos Guardiões. Forçados a aterrar num planeta desconhecido, o grupo de amigos dá de caras com Ego que diz ser pai de Quill. Mas esta aparição inesperada provoca não só vários sentimentos em Quill, mas também no resto da equipa que estava longe de imaginar o perigo que estava a correr.

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Crítica: Velocidade Furiosa 8 (The Fate of the Furious) . 2017


Pergunto-me porque é que continuo a ver isto. A verdade é que nem eu sei responder. A franquia Fast and Furious não tem, nem nunca teve pudor em definir as suas intenções e finalidade, mais uma vez, sem surpresas, estamos perante um show de acrobacias velozes que de credíveis têm pouco, despejadas num loop frenético que parece continuar a atrair mesmo aqueles que nem acham assim tanta piada a isto (yeah me!).

Na sequência de abertura em Havana, Dominic Toretto (Vin Diesel) e Letty (Michele Rodriguez) tem a tarefa de fazer os fãs matar saudades do verdadeiro espírito Fast and Furious dos primeiros filmes. Logo ali temos um vislumbre que em conjunto com as doses elevadas de entretenimento vai misturar-se o melodrama que irá trazer a grande carga emocional, nem sempre presente em filmes anteriores. Cipher (Charlize Theron) é a ciber terrorista que irá fazer não só uns quantos estragos pelo mundo, mas também atormentar a cabeça de Toretto, brincando com sentimentos da equipa e fazendo revelações ligadas ao passado mais recente. Hobbs (Dwayne Johnson) também está de volta assim como algumas caras familiares como Deckard (Jason Statham).

sábado, 8 de abril de 2017

Crítica: A Bela e o Monstro (Beauty and The Beast) . 2017


A cada anunciar de um novo remake da Disney, é sempre difícil imaginar os clássicos mais queridos da nossa infância a ser readaptados em obras live-action. Bill Condon conseguiu transportar a magia de A Bela e o Monstro de volta a 2017 e transforma-o numa autentica delicia, que demonstra mais uma vez o porquê de ser uma das mais belas e mais significativas histórias que a Disney já fez.

Este conto já todos sabemos de cor. Bella (Emma Watson) é uma jovem e ambiciosa rapariga, que vive numa pequena vila francesa com o seu pai Maurice (Kevin Kline). Numa das viagens de Maurice ao mercado da cidade mais próxima para vender pequenas caixas de música que constrói, ele e o seu cavalo Phillipe perdem-se na floresta e são capturados por um feroz Monstro (Dan Stevens). Ao ver o pai capturado pela terrível criatura, Bella decide trocar a liberdade do pai pela sua, num castelo medonho onde os objectos têm vida. Com o passar do tempo, apercebe-se que o Monstro é afinal um príncipe, que derivado ao seu feitio arrogante e presunçoso, se encontra amaldiçoado por uma bruxa, assim como os servos do seu castelo. Para quebrar o feitiço precisa de um verdadeiro amor que o faça voltar à fase humana ou então ficará com um aspecto aterrador o resto da sua vida.

domingo, 2 de abril de 2017

Crítica: Vida Inteligente (Life) . 2017


O Sci-fi nunca é um género fácil e Daniel Espinosa resolveu aventurar-se por caminhos apertados. Com um passado mais recente baseado em thrillers como Child 44 (2015), Safe House (2012) ou Easy Money (2010), Espinosa avança para algo mais ambicioso em termos visuais, mas não tanto no que toca a um bom argumento. Com um elenco sólido, mas uma história que não surpreende, Vida Inteligente não passa de uma ideia saturada, mas que incrivelmente nos agarra ao ecrã, mesmo quando já sabemos bem aquilo que nos espera.

A bordo da International Space Station, os seis membros da tripulação (Jake Gyllenhaal, Rebecca Ferguson, Ryan Reynolds, Hiroyuki Sanada, Ariyon Bakare e Olga Dihovichnaya) têm a missão de estudar amostras recolhidas em Marte. A ideia é verificar que realmente existirá vida extraterrestre, tal como analisar o seu desenvolvimento, comportamento e inteligência. Ao fim de poucos dias, a progressão de um pequeno organismo marciano é incrível e as suas características são bastantes similares à de qualquer ser humano. O entusiasmo acerca desta pesquisa é enorme e o pequeno ser é apelidado de Calvin, referido com afecto como se de um humano se tratasse, e o misticismo e encantamento por parte de todos transforma-se em algo extremamente perigoso, quando sem contar se apercebem que Calvin se prepara para atacar, ficando cada vez mais forte, cada vez que o faz. E até aqui, o filme até que era interessante...

quarta-feira, 22 de março de 2017

Crítica: Logan . 2017


Praticamente desde o inicio da sua carreira cinematográfica que Hugh Jackman é Wolverine. Vê-lo abandonar esse percurso é extremamente doloroso, sendo esta infelizmente última experiência de Jackman no papel, um dos mais interessantes e complexos personagens de BD de sempre. James Mangold realiza e co-escreve esta viagem com uma grandiosidade emocional quase nunca vista antes num filme do género.

Em 2029, o futuro não é assim tão diferente quanto imaginamos. O mundo continua tal e qual como o conhecemos, à excepção do número de mutantes existentes. Logan aka Wolverine (Hugh Jackman) ganha a vida como motorista no Texas, é agora uma figura muito mais amargurada do que aquela que nos acostumamos e aguenta o dia-a-dia a beber para atenuar a dor dos tormentos do passado. Apesar de viver uma vida bastante discreta, ao lado do seu velho amigo de longa data Charles Xavier (Patrick Stewart), Logan é descoberto por Donald Pierce (Boyd Holbrook) um mercenário caçador de mutantes que procura Laura (Dafne Keen), uma jovem rapariga que partilha de habilidades semelhantes às de Logan, mesmo quando se acreditava que nenhum mutante havia nascido nos últimos vinte e cinco anos.

domingo, 12 de março de 2017

Crítica: São Jorge . 2017


Este é o retrato da crise que Marco Martins decidiu mostrar. O retrato dos pobres que ficaram ainda mais pobres, dos bairros que no linear da pobreza continuam a passar muitas vezes despercebidos. São Jorge é o reflexo das consequências da crise, que muitas vezes incitam ilegalidade, marginalidade, violência, criando a instabilidade social e emocional de um país. Nuno Lopes está grandioso e interpreta aqui um personagem triste e frustrado, vivendo a angustia presente em muitas famílias afectadas pelo monstro económico.

Com a chegada da troika a Portugal em 2011, o numero de endividamentos aumentou astronomicamente. O recorrer aos créditos fáceis passou a ser um dos recursos mais utilizados para tentar sobreviver à crise instalada. Posto isto, surgem inúmeras agências que compram dividas e fazem de tudo para conseguir o retorno das mesmas. Jorge (Nuno Lopes) é um pugilista que lida com a realidade do desemprego, vivendo num bairro social, o que perante a sociedade não facilita nada as coisas. Ao lidar com a possível ida do filho Nelson (David Semedo) e da ex-mulher Susana (Mariana Nunes) para o Brasil, Jorge vê-se obrigado a procurar trabalho como cobrador de dívidas numa dessas agências, deparando-se com realidades semelhantes à sua, de indivíduos que como ele, tentam todos os dias sobreviver a um país na banca rota, na esperança que o dia seguinte seja melhor.

sexta-feira, 3 de março de 2017

Critica: T2: Trainspotting . 2017


O regresso de Danny Boyle a Trainspotting era para mim uma incerteza. Mexer naquilo que é bom, é 90% das vezes má ideia, mas surpreendentemente, os quatro rebeldes saídos dos livros de Irvine Welsh, continuam mais interessantes que nunca, respeitando o legado do filme de culto, considerado dos mais vibrantes da década de 90.

Vinte anos após a fuga de Edimburgo, Mark Renton (Ewan McGregor) volta à terra Natal para se reencontrar com os amigos Spud (Ewen Bremner) e Simon (John Lee Miller). Apesar de se encontrarem em fases diferentes das suas vidas, o que os une e bem mais forte do que aquilo que os separa, e vêem-se obrigados a regressar atrás no tempo, algo nada fácil por todas as razões que conhecemos. Rapidamente percebemos que vida não foi propriamente generosa para com nenhum deles e inconscientemente ainda anseiam pela mudança e alegria de quando eram jovem. A cumprir uma sentença de vinte e cinco anos na prisão está Begbie (Robert Carlyle), que consegue escapar quando lhe é recusada liberdade condicional, e que assim que descobre que Mark está de volta à cidade, procura vingança.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Crítica: Moonlight . 2016


Não é muito comum um filme de baixo orçamento, andar nas bocas do mundo. Mas tal como aconteceu com Manchester By The Sea, no inicio do ano em Sundance, também este Moonlight marcou a diferença mal 2016 tinha começado. Não podemos negar que este é um dos filmes mais interessantes do ano. Não propriamente pela história que nos apresenta, mas pela forma tão próxima como nos é apresentada a homossexualidade na comunidade africana nos Estados Unidos, algo nunca antes (e tão bem) explorado no cinema.

Dividido em três partes, revemos um pouco da história de vida do protagonista, revivendo algumas das situações mais marcantes que passou durante a sua infância, adolescência e idade adulta. [I. Little] Chiron (Alex Hibbert) é apenas um miúdo envergonhado e reservado, que vive com a mãe abusiva (Naomie Harris), que mal sabe cuidar dela quando mais de um filho. Chiron começa desde cedo a saber lidar com situações difíceis, devido ao vicio das drogas da mãe, ao mesmo tempo que ganha cumplicidade com o Juan (Mahershala Ali) o dealer da zona. [II. Chiron] Já no secundário, as ameaças e o bullying começam a ser constantes, e o medo de assumir o sua verdadeira personalidade impedem-no de ser um jovem realmente feliz. Chiron (Ashton Sanders) apaixona-se por um colega de escola, e depois de ter a sua primeira experiência sexual, sofre mais uma desilusão. [III. Black] Aparentemente um homem diferente do menino que conhecemos no inicio, mas no seu intimo apenas o pequeno "little", Chiron (Trevante Rhodes) continua mais frágil do que podemos imaginar e um reencontro inesperado irá despertar sentimentos antigos, mas nunca esquecidos.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Crítica: Vedações (Fences) . 2016


Directamente dos palcos da Broadway para o cinema, Denzel Washington toma pela terceira vez o lugar de realizador, revivendo também o mesmo papel de protagonista que interpretou em 2010 na peça que dá agora origem a esta versão cinematográfica, Vedações, adaptada da peça do premiado dramaturgo August Wilson.

Algures durante os anos 50, Troy (Denzel Washington) é um homem de meia idade que luta diariamente para tentar proporcionar à sua mulher Rose (Viola Davis) e ao seu filho Cory (Jovan Adepo) o melhor que a vida lhe permite. Troy vive preso ao passado, tendo dificuldade em assumir as suas frustrações, quando revoltado se recorda dos tempos que era um bom jogador de baseball, mas a cor da sua pele o impediu de avançar na carreira e ter uma vida estável. Agora que o filho tem a oportunidade de seguir as suas pisadas, podendo aceitar uma bolsa como jogador de futebol na liga escolar, Troy impede-o de o fazer, não só com medo que a discriminação racial lhe trave um caminho de sucesso que também podia ter conseguido, mas também pelo sentimento de inveja que lhe é impossível esconder. A pedido de Rose, Troy está encarregue de construir uma vedação em torno da casa da família, que tem como principal objectivo de manter afastadas as coisas que não pertencem ao lar, do lado de fora. Mas esta vedação tem um significado emocional muito maior do que aquilo que aparentemente podemos pensar.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Crítica: Elementos Secretos (Hidden Figures) . 2016


Nunca é demais mostrar que em tempos, infelizmente não tão distantes como isso, a América vivia consoante o seu "esquema das cores", onde o factor racial era definitivo para alcançar uma carreira de sucesso. Elementos Secretos conta a história verídica de três mulheres que quebraram uma importante barreira, que se tornou determinante. É acima de tudo um feel-good movie que até consegue transmitir a mensagem inspiradora que carrega, mas da forma mais trivial possível.

Baseado no livro homónimo de Margot Lee Shetterly, Elementos Secretos conta a história de três matemáticas afro-americanas a trabalhar na NASA, em particular na pessoa de Katherine G. Johnson (Taraji P. Henson) que calculou ou trajectos do Projecto Mercúrio - programa espacial americano cujo objectivo seria colocar um homem em orbita e trazê-lo de volta à Terra em segurança - que colocava os americanos à frente na corrida espacial contra a União Soviética durante os anos 50/60. Num mundo maioritariamente liderado por homens, em tempos em que ainda estavam à frente de tudo as diferenças raciais, este é um filme sobre a luta pela igualdade não só de género mas também racial, em que a principal mensagem é transmitir que o sentido de união faz a força e assim se consegue marcar toda a diferença.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Crítica: Jackie . 2016


Jacqueline Kennedy é quase uma figura mitológica do século XX. Muito se tem especulado acerca da sua figura, mas a verdade é que nunca tinha sido profundamente explorada no cinema anteriormente, comparando com as vezes que John F. Kennedy o foi. Infelizmente ainda não é desta que podemos ficar plenamente satisfeitos, pois estamos perante um filme bastante inconstante, mas curiosamente recheado de alguns momentos brilhantes. Um filme do qual queremos mesmo gostar, mas cujos erros se tornam difíceis de ignorar.

Aqui percorremos os três dias mais trágicos da vida da eterna viúva dos Estados Unidos. O dia em que o Presidente John F. Kennedy é assassinado em Dallas, no Texas, e os dias que se seguiram. Pelo meio estão representados através de flashbacks estes e outros momentos da sua vida, enquanto Jackie (Natalie Portman) é entrevistada no presente por Theodore H. White (Billy Crudup), um jornalista que pretende fazer um artigo sobre a sua dramática experiência para a revista Life. Existirá sempre um enorme fascínio por uma das figuras mais emblemáticas da história dos EUA, não só pelos escândalos associados à sua vida matrimonial, mas também pela curiosidade constante que continua a existir sobre a verdadeira Jackie por detrás do mito e da ideia da perfeita dona de casa americana, respeitadora e braço direito do marido em qualquer circunstancia. 

domingo, 5 de fevereiro de 2017

Crítica: La La Land - Melodia de Amor (La La Land) . 2016


Damien Chazelle surpreendeu todos, ao fazer da sua segunda longa metragem um sucesso digno de realizador experiente em Hollywood. A sua produção independente Whiplash (2013), tinha a qualidade de qualquer filme de grande estudio e os olhos ficaram de imediato postos neste jovem de 32 anos, que escreve e realiza como gente grande, onde já merecidamente o podemos classificar como um dos melhores da nova era.

Los Angeles, a cidade dos sonhos. Mia (Emma Stone) é uma aspirante a actriz, a trabalhar numa coffee shop de um estúdio de cinema. Sebastian (Ryan Gosling) é um pianista de jazz, debatendo-se por encontrar um trabalho onde possa ser dono da sua criatividade. O destino dos dois cruza-se e juntos vão descobrir que o amor e os sonhos são algo verdadeiramente poderoso. Cada vez passam mais tempo juntos e um carinho especial surge. A ambição de triunfar é imensa pela duas partes, e assim é também o amor que os une, mas será que tudo é realmente perfeito e possível na cidade dos sonhos?

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Crítica: Fragmentado (Split) . 2016


M. Night Shyamalan é odiado por muitos, e eu gosto de dizer que é incompreendido por todos. A verdade é que cada vez que um filme seu estreia nas salas, todos ficam em pulgas para o ver. Muitos dizem que atingiu o seu apogeu logo no seu terceiro trabalho, O Sexto Sentido em 1999, mas eu diria que apesar de uns deslizes gravíssimos na carreira - e mais vale esquecer O Último Airbender (2010) e Depois da Terra (2013) - Shyamalan continua a ser fiel a si próprio, e coloca Fragmentado no top 5 dos seus melhores filmes.

Três jovens adolescentes, Claire (Haley Lu Richardson), Marcia (Jessica Sula) e a reservada Casey (Anya Taylor-Joy), são raptadas num parque de estacionamento de um restaurante quando o pai de uma delas se prepara para as deixar em casa. Sob a personalidade de Dennis, Kevin Crumb (James McAvoy), um homem que sofre de Transtorno Dissociativo de Identidade cujos diferentes comportamentos estão associados às vinte e três personalidades contidas na sua identidade, é o responsável pelo rapto e leva-as para uma divisão da sua casa onde as mantém em cativeiro. Sem sabermos ao certo porquê, Casey é a única que estranhamente consegue lidar com o comportamento inconstante das personalidades de Kevin, que enquanto as mantém escondidas em segredo, vai visitando regularmente a psiquiatra Dra. Karen Fletcher (Betty Buckley) que conheça a suspeitar da frequência dessas visitas.

domingo, 29 de janeiro de 2017

Crítica: Manchester By the Sea . 2016



Há filmes, que são muito mais que filmes, são experiências emocionais que nos colocam em posições e situações nas quais nos envolvemos e ficamos vulneráveis. Manchester By the Sea, é brilhantemente realizado por Kenneth Logernan que aqui consegue concretizar uma obra que transparece desde o inicio um sentido de realidade imenso através da dureza das palavras e da simplicidade e realismo com que tudo o que aqui é apresentado.


Lee Chandler (Casey Affleck) é um homem reservado, bastante introvertido que passa os seus dias de mau humor, cansado do trabalho de "faz-tudo" que executa numa urbanização dos arredores de Boston. Lee vê-se obrigado a regressar à sua cidade natal, Manchester by the Sea em Massachusetts, quando recebe a noticia de que o seu irmão mais velho Joe (Kyle Chandler) acaba de falecer com uma doença cardiaca. Emocionalmente desgastado com o regresso, Lee vai recordando, alguns dos momentos que passou junto da família durante os tempos em que lá viveu e à medida que volta a cruzar-se por caminhos e com pessoas com quem partilhou momentos da sua vida, e com a ajuda de flashback's vamos percebendo melhor o porquê da razão deste carácter especial que se foi moldando com o passar dos anos. Ao mesmo tempo, terá de aprender a realicionar-se com Patrick (Lucas Hedges), o seu sobrinho adolescente, de quem agora é tutor legal até este completar vinte e um anos.

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Oscars 2017 | Os nomeados .

imagem via Esquire.

Foram anunciados hoje, os nomeados para a 89ª edição dos The Academy Awards . Oscars 2017. A cerimonia está marcada para dia 26 de Fevereiro e Jimmy Kimmel será o anfitrião. É sem surpresas que La La Land, o musical de Damien Chazelle, lidera as nomeações, mas como sempre uns ficam esquecidos e outros são surpreendentemente reconhecidos. Por isso mesmo, aqui ficam as minhas reacções à lista de nomeados que pode ser consultada aqui: http://oscar.go.com

. Arrival, Hell or High Water e Manchester By The Sea
. La La Land por ver... Moonlight por ver... Fences por ver... Hidden Figures por ver...
. Silence a ser totalmente ignorado este ano (ainda não vi, mas Martin Scorsese é 4 ever!)
Hacksaw Ridge e Lion a receber mais destaque do que esperava, até porque foram das minhas maiores desilusões do ano passado
. É muito bom ver The Lobster ser reconhecido em alguma coisa
. O mesmo para Viggo Mortensen, e a sua prestação em Captain Fantastic
. Adoro o Michael Shannon, mas o Aaron Taylor-Johnson merecia destaque pelo grande desempenho em Nocturnal Animals
. Mais uma nomeação para Meryl Streep, que já tem lugar cativo
. Jessica Chastain a ser completamente esquecida pelo desempenho incrível em Miss Sloane
. Assim como Amy Adams ficar de fora pelo seu desempenho em Arrival e até mesmo Nocturnal Animals
. Pensava que era desta que o Hugh Grant era nomeado! E ainda tinha esperança em ver o John Goodman receber uma nomeação pelo 10 Cloverfield Lane
. Sing Street perde a oportunidade de estar ao menos entre os nomeados a melhor canção
. Ninguém encontrou a Dory!? Ao menos lembraram-se de Kubo and The Two Strings (go Laika Entertainment!)

Daqui a pouco mais de um mês saberemos o veredicto.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Crítica: Miss Sloane - Uma Mulher de Armas (Miss Sloane) . 2016


A partir do minuto zero, Jessica Chastain olha-nos nos olhos e diz-nos que vai antecipar todas as nossas jogadas. O realizador John Madden (Shakespeare in Love, The Debt) nem sempre consegue esse objectivo, mas a força da personagem principal, ou não desse ela nome ao filme, arrasa por completo, isto pela positiva claro, com uma das mais poderosas interpretações femininas de 2016, que faz todas as imperfeições do enredo se tornem mais toleráveis.

Desde a cena de abertura, ficamos bem familiarizados com a determinação e dureza de Elizabeth Sloane (Jessica Chastain), uma lobista de Washington, sem escrúpulos ou qualquer tipo de compaixão ao próximo, que tem o como objectivo no seu trabalho interferir directamente com as decisões do poder público e legislativo, tendo sempre em mente uma única coisa, vencer. A enorme sede de triunfar, faz com que Sloane tenha sempre mais uma carta na manga, não olhando a meios para atingir fins. Uma crítica feroz ao sistema corrupto no mundo da política, que foi sempre bem real, mas que se esconde por detrás dos interesses públicos e não passam na verdade de mentiras.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Crítica: Bleed for This - A Força de um Campeão (Bleed for This) . 2016


Um dos maiores comeback's da história do desporto, sem dúvida! Um dos melhores filmes sobre comeback's do desporto, nem por isso. Bleed for This - A Força de um Campeão nunca consegue transmitir a mesma grandeza da história real em que se inspira, perdendo-se por vezes em pormenores que muitas vezes pouco interessam dando pouco espaço aos actores para brilhar.

Vinny Pazienza (Miles Teller) é um reconhecido campeão de box italio-americano, conhecido como o Diabo da Pazmania, pois ao longo da carreira foi ganhando reputação pela quantidade de vitórias, na sua maioria consecutivas, entre os anos de 1983 e 1987. Despreocupado das exigências e todos os outros aspectos relevantes do desporto, Vinny gosta de noitadas, jogo e pouco se importa com a vida saudável que qualquer desportista tem de levar a sério. Gosta apenas de lutar e isso é a sua maior motivação de vida. Depois de um grave acidente de viação que quase o paralisou Vinny percebe que afinal dá muito mais valor ao box do que aquilo que pensa e decide motivar-se a si próprio contrariando todos os que afirmavam que nunca mais voltaria a lutar, ao recuperar totalmente voltando aos combates em grande forma, transformando-se numa lenda viva do desporto mundial.