terça-feira, 21 de novembro de 2017

Crítica: Liga da Justiça (Justice League) . 2017


Mais um filme de super-heróis sem grande relevância, mas que apela ao entretenimento. Patty Jenkins fez este ano com Wonder Woman, tudo aquilo que Zack Snyder foi incapaz de fazer por Man of Steel ou por Batman v Superman. Jenkins voltou a dar alma aos filmes da DC Comics, alma perdida desde os tempos de Nolan, ainda que num tom muito menos dark. Justice League consegue ser mais equilibrado, mais tolerável de se ver, com momentos bons, mas também com momentos maus e desnecessários que acabam por afirmar aquilo que continua a acontecer na maior parte dos casos quando falamos deste tipo de filmes.

Enquanto o mundo continua a recuperar da perda enorme de Super-Homem (Henry Cavill), cuja esperança de viver num mundo mais protegido foi totalmente devastada, cabe agora a Batman (Ben Affleck) e Wonder Woman (Gal Gadot) reunir uma equipa de super-heróis para resgatar três "mother boxes", caixas que contêm um poder maligno que pertencem a demónios, liderados por Steppenwolf (Ciarán Hinds) que tem o objectivo de provocar o apocalipse e dominar o planeta. Aos já conhecidos juntam-se Flash (Ezra Miller), Aquaman (Jason Momoa) e Cyborg (Ray Fisher). 

domingo, 19 de novembro de 2017

Crítica: Um Crime no Expresso do Oriente (Murder on the Orient Express) . 2017


Ao longo dos tempos, vários têm sido os exemplos de que um bom elenco não é sinónimo de bom filme. Recheado de glamour visual, mas pobre em envolvência e mistério, Um Crime no Expresso do Oriente é baseado num dos mais conhecidos crime novels da intemporal Agatha Christie, cujo resultado desta nova versão é tudo menos aquilo que ela nos habituou. Falta-lhe exactamente o ambiente de suspeita constante característico das suas obras.

O famoso detective belga Hercule Poirot (Kenneth Branagh), por ocasião de mais uma investigação em Istambul, recebe um telegrama para regressar a Londres, marcando de imediato viagem através do seu amigo M. Bou (Tom Bateman) director da linha férrea embarcando com ele no luxuoso comboio Orient Express. Já em viagem, Poirot é abordado pelo mafioso Mr. Rachett (Johnny Depp), que acredita estar a correr perigo de vida, recorrendo aos serviços de Poirot para investigar o caso, pedido que este rejeita. Durante o segundo dia de viagem, o comboio é forçado a parar depois de uma forte derrocada de neve, e aí se descobre que Rachett tinha sido assassinado no decorrer dessa noite. Quando Poirot decide começar a investigar esta estranha morte, começa a perceber que todos os passageiros do comboio têm algum tipo de ligação entre si, assim como misteriosamente têm algum tipo de conexão com o mafioso. Várias teorias surgem, e o perspicaz detective tem pouco tempo para desvendar o caso, tornando-se cada vez mais perigoso permanecer num ambiente de desconfiança. Teria o criminoso entrado e saído do comboio sem ninguém dar por isso? Ou o assassino estaria entre si?

domingo, 5 de novembro de 2017

flash review : The Meyerowitz Stories . 2017


The Meyerowitz Stories, de Noah Baumbach (2017)

É imprescindivel começar a falar deste filme, mencionando em primeiro lugar a pérola que é Adam Sandler, tantas vezes ligado a filmes mediocres, tendo aqui uma excelente performance, sendo quem mais se destaca, quem de tempos a tempos lá se lembra de demonstrar que consegue equilibrar na perfeição a tragédia e a comédia deixando-nos a todos replectos de estupefacção. Noah Baumbach é cada vez mais uma extensão de Woody Allen, preveligiando Nova Iorque a cada filme que passa e tornando-a sempre interessante, associada quase sempre a um estilo de vida frenético e ao tipo de pessoas cujos laços familiares são dos mais disfuncionais possíveis. Um estudo sobre várias gerações e aspirações de vida, onde a arte da vida se reflete sempre nos valores que nos são transmitidos e naquilo que fazemos para poder mudar isso a nosso favor. Dustin Hoffman é um pai longe da perfeição, cujos filhos Sandler, Ben Stiller e Elizabeth Marvel, tentam uma aproximação agora que o pai caminha para uma idade mais avançada. A tensão e as relações entre pai e filhos é estudada de forma individual, dando-nos a conhecer melhor cada uma das personalidades. Existindo uma grande química entre actores The Meyerowitz Stories faz nos relacionar com algumas situções, ao mesmo tempo que nos faz julgar um pouco algumas das atitudes dos personagens, sempre com toques humoristicos, sem deixar de mencionar por isso mesmo a brilhante Emma Thompson. Um daqueles bons, directamente do mundo maravilhoso dos indie.

Classificação final: ★★★★

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

flash review : A Ghost Story . 2017


A Ghost Story, de David Lowery (2017)

Dificilmente se recupera de um luto e infelizmente em alguma altura das nossas vidas, já passamos por esse sofrimento. Para todos nós, há maneiras de superar a perda, que passam pelos mais variados aspectos, mas será que aqueles que partem, sofram também desse pesar!? A Ghost Story explora aparentemente o outro lado da moeda, o lado de quem parte, imaginando como seria se os espiritos sentissem solidão sem aqueles continuam no mundo dos vivos. David Lowery retrata este conto através da perspectiva de Casey Affleck, um homem que acaba de falecer e vê a esposa Rooney Mara em constante sofrimento, tendo mais tarde de abandonar a casa onde viviam, deixando-o preso naquelas quatro paredes. O ritmo é lento, e envereda por caminhos cujos quais não estamos à espera, sendo muito mais um filme de introspecção do que algo do género "casa assombrada". O twist final é bastante interessante e chegamos até uma ideia mais profunda, que tanto pode explorar a morte como pode tentar explicar afinal o que é o sentido da vida. No entanto, confesso que tinha uma ideia diferente daquilo que me esperava e apesar de não deixar de ser interessante, os rasgos de Malick são um pouco desnecessários e querem torná-lo mais complicado do que aquilo que é.

Classificação final: ★★★½

segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Crítica: Amor de Improviso (The Big Sick) . 2017


Mas quem é que não gosta de uma bonita história de amor? O problema hoje me dia, está na abordagem aos personagens e nas situações apresentadas que já pouco ou nada surpreendem. Felizmente existem indies deste género, que ainda nos fazem verdadeiramente acreditar no que é o amor. Tem tanto de comédia como de tragédia, e é das relações familiares, culturais e dos precauços de vida que se faz este filme, fazendo nos adorar esta comédia romântica tanto de forma light como de uma forma mais profunda.

Da história de vida real do casal Emily V. Gordon (no filme interpretada por Zoe Kazan) e de Kumail Nanjiani (que faz de si próprio) nasce o argumento para esta comédia romântica, produzida por Judd Apatow e realizada por Michael Showalter. O projecto já andava há uns anos a ser desenvolvido pelo casal, que escreveu uma espécie de homenagem ao seu relacionamento, relatando uma história de amor um tanto ou quanto estranha, quando Kumail se apaixonou, pela actual mulher Emily, quando esta se encontrava em coma devido a uma infecção súbita bastante grave. Kumail é um motorista da uber, que sonha vir a ser um dia uma estrela de standup comedy. Uma noite, conhece Emily e há química entre os dois. Sem saberem, iriam viver passado uns meses, a experiência traumática que criaria laços fortes e os ligaria emocionalmente de forma muito forte.

sábado, 7 de outubro de 2017

Crítica: Blade Runner 2049 (ou a carta de amor a Denis Villeneuve) . 2017

Quando me preparo para começar a escrever um texto sobre um filme que gosto muito é sempre uma tarefa complicada. Tenho receio de me tornar demasiado exagerada, pretensiosa ou simplesmente que esteja a tentar moldar a minha adoração perante outros. Acho que é sempre mais fácil dizer mal, do que dizer bem, e é nos filmes que me deixam mais arrebatada que sinto essa dificuldade, e mais me faltam as palavras. Não é segredo nenhum, que aqui já várias vezes louvei o trabalho de Dennis Villeneuve, o realizador que rapidamente me fascinou desde o primeiro trabalho que dele vi. Acredito que ele é tudo aquilo que a minha geração procura viver no cinema, o entusiasmo de aguardar pela estreia do filme que queremos imaginar ser a próxima obra-prima que daqui a 35 anos vão continuar a falar. Tal como Ridley Scott transformou o seu Blade Runner, em algo que ainda hoje deixa marca a quem o assiste pela primeira vez, também Denis Villeneuve transformou esta sequela em algo só seu, com cunho pessoal que homenageia o trabalho de um veterano, aperfeiçoado por outro que converte o legado a algo muito superior. A maneira com que a história é respeitada, e os caminhos percorridos são traçados, eleva o espírito Blade Runner a toda uma outra dimensão, ainda mais complexa e mais interessante de ser experienciada, abordando questões sociais e humanas de forma metafórica, mas suscitando muitas outras dúvidas que nos perseguem muito depois do filme ter terminado. É na beleza dos planos, das cores e dos sets, é na forma crua e vulnerável que se apresentam os personagens das suas histórias, é na delicadeza das imagens e dos gestos, é nas palavras que por mais complexas ou confusas que possam ser, tocam de alguma forma. Nunca dúvidei das suas capacidades, mas tinha medo que com um peso destes sobre as suas costas o resultado não fosse propriamente o esperado. Roger Deakins ajudou construir a sua beleza visual, o jogo de luzes que se entranha pelos olhos adentro, e nos absorve para dentro de si. Hans Zimmer e Benjamin Wallfisch formam melodias melancolicas que arrepiam. O casting perfeito que leva Ryan Gosling ao limite e eleva Harrison Ford a um nível que há muito tempo não viamos. É como se Villeneuve conseguisse fazer magia em qualquer coisa em que pegue. 2049 é mais uma prova de como o seu trabalho é um dos mais interessantes que se fazem hoje em dia.

Muitos poderão achar exagero se colocar Denis Villeneuve no mesmo patamar de um Kubrick ou de Scorsese, mas a verdade é que ele consegue deixar me a cada obra sua mais e mais apaixonada pelo seu trabalho e pela genialidade com que consegue transmitir sentimentos e emoções através da lente da sua camera. Muito mais que uma review, esta acaba por ser a minha carta de amor a Villeneuve, tal como 2049 é a carta de amor de Villeneuve para Blade Runner.


Classificação final: 5 estrelas em 5.
Data de estreia: 05.10.2017

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Crítica: Borg vs McEnroe . 2017


Vários são os biopics desportivos que vão merecendo destaque ao longo dos anos. Na sua maioria, os desportos mais populares como o boxe, atletismo ou até futebol, nunca tendo sido explorado profundamente o mundo do ténis e dos seus jogadores. Aqui dois dos maiores astros do ténis mundial de sempre, são explorados apenas sobre o olhar tenso de um campeonato em Wimbledon que ficou para a história do ténis.

O filme é totalmente focado na rivalidade existente entre Björn Borg (Sverrir Gudnason) e John McEnroe (Shia LaBeouf) e no campeonato de Wimbledon, até chegarmos ao encontro final, no jogo que decidiria se Borg seria campeão do mundo pela quinta vez, ou se McEnroe, estrela em ascensão, o iria finalmente derrotar. Os dois têm mais em comum do que aquilo que aparentemente poderiam pensar, e a jornada durante este campeonato de oitenta, viria a demonstrar a cada um, que ambos poderiam ter lições a oferecer um ao outro.

domingo, 1 de outubro de 2017

Crítica: It . 2017


Andy Muschietti ganhou reconhecimento em 2013 com Mama, um thriller de horror, cujo o tipo de narrativa e visuais se assemelhava ao cinema de Guillermo del Toro. Depois de ter sido escolhido para a nova roupagem de It - adaptado do livro de Stephen King, que em 1990 já tinha sido adaptado para tv - as expectativas seriam as melhores. O palhaço assassino que atormentou muitas crianças na altura, vinte e sete anos depois estaria pronto para atormentar muitas mais. Só que não.

A acção decorre no final dos anos 80, na pequena cidade de Derry, onde vivem Bill (Jaeden Lieberher) e o seu irmão Georgie. Numa tarde chuvosa de inverno, Georgie decide brincar pelas ruas com um barquinho de papel, que com a força das águas caí numa valeta de esgoto. Na tentativa de retirar o barco, Georgie espreita lá para dentro e é surpreendido por Pennywise the Dancing Clown (Bill Skarsgard), que o alicia a entrar no esgoto com ele. Georgie desapareceu sem deixar rasto, e cada vez mais na cidade começa a ser notorio o número de crianças que também desaparecem. É então que Bill com a ajuda dos amigos, decide começar a investigar o desaparecimento do irmão, e juntos começam a tentar desvendar o mistério que paira sobre Derry. Enquanto isso, todos eles começam a ter visões aterradoras com o palhaço, todas elas ligadas aos seus maiores medos.

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Crítica: Kingsman: O Circulo Dourado (Kingsman: The Golden Circle) . 2017


Tal como todas as sequelas, também Kingsman: The Golden Circle sofre o fardo de ser o seguidor de um sucesso e isso é sempre dificil de superar. Matthew Vaughn sabe com toda a certeza o que é fazer entretenimento, e pode afirmar-se como um dos que sabe o que faz nesse campo. Golden Circle é goofy, é lunático, é divertido, sendo absolutamente impossível não ficar maravilhado com tanto divertimento ao longo de duas horas e vinte. Repetitivo sim, aborrecido nunca.

Recodemos o puto chamado Eggsy (o carismático e talentoso Taron Egerton), que no primeiro filme tinha sido recrutado para uma agência de serviços secretos de seu nome Kingsman, com metodos ultra secretos que usavam de uma tecnologia de ponta. Depois da morte do seu mentor Harry (Colin Firth), Eggsy melhorou ainda mais as suas capacidades e em conjunto com o seu colega tech expert Merlin (Mark Strong) soma uma quantidade de missões bem sucedidas. Quando alguns pontos estratégicos Kingsman são misteriosamente atacados, fragilizados recorrem à ajuda dos seus assossiados Statesman, uma agência secreta americana que opera no Kentucky numa destilaria de whiskey. Eles irão ter de trabalhar em conjunto com Tequila (Channing Tatum), Champagne (Jeff Bridges), Ginger Ale (Halle Berry) e o próprio do Whiskey (Pedro Pascal), para por fim ao plano maléfico de Poppy (Julianne Moore) uma peculiar traficante de droga obcecado pelo estilo 50's, que segundo a própria, tem a melhor estretégica para legalizar as drogas nos EUA. 

domingo, 24 de setembro de 2017

Crítica: Mãe! (Mother!) . 2017


Tal como o ponto de exclamação no final do seu título, Mãe! quer provocar, indignar, mostrar um forte objectivo. Darren Aronofsky é conhecido pela diferença e por querer sempre mostrar um lado mais metafórico e surreal dos temas, e este seu novo filme não é excepção. Mas Mãe!, claramente inspirado pelo estado do mundo actual, acaba na maioria das vezes por se tornar confuso e demasiadamente bizarro, ao invés de criar uma certa subtileza nas mensagens, atirando nos para todos os lados ao mesmo tempo.

Jennifer Lawrence é a jovem esposa de Javier Bardem, um escritor famoso que vive um imenso bloqueio de inspiração, há muito tempo aprisionado pela falta de criatividade. Eles vivem isolados, numa casa gigante que outrora foi completamente devastada por um incêndio que acabou por destruir quase tudo. Ao longo de um ano, Lawrence reconstroi dia-a-dia a casa, sentindo-se frustrada e infeliz, à espera de quando é que o marido volta a ter o seu momento de glória. Um dia Ed Harris bate à porta, no dia seguinte aparece a sua mulher Michelle Pfeiffer, e ao contrário do que Lawrence espera o marido convida-os para passar uma temporada lá em casa. Tal como ela, até nós ficamos confusos e começamos a suspeitar das atitudes repentinas do marido. Coisas estranhas começam a acontecer, numa roda interminável de comportamentos que não sabemos explicar.

domingo, 17 de setembro de 2017

Crítica: Sorte à Logan (Logan Lucky) . 2017


Depois de ter afirmado há uns anos que se iria retirar do mundo da realização, ficando apenas ligado a projectos televisivos, Steven Soderbergh quebra a promessa para o bem da humanidade. Simples, mas com estilo e uma grande dose de humor inteligente, Logan Lucky é mais uma certeza que Soderbergh tem obrigatoriamente que continuar a cultivar este lado da carreira.

Jimmy Logan (Channing Tatum) e Clyde Logan (Adam Driver) são irmãos e consideram-se bastante azarados na vida. Jimmy tinha uma carreira promissora no football que lhe escapou derivado a uma lesão num joelho. Clyde é um veterano da guerra do Iraque, que perdeu parte de um braço em combate. Longe de ligar a superstições está a irmã Mellie Logan (Riley Keough). Quando Jimmy descobre a que a sua ex-mulher Bobbie (Katie Holmes) está a pensar mudar-se para outra cidade com a filha de ambos, Jimmy elabora um plano que consiste em assaltar uma pista de corridas de Nascar, pois adquiriu conhecimentos da forma como funciona o sistema pneumático de recolha de dinheiro durante as corridas durante uns tempos em que lá trabalhou. Para que o plano resulte vão precisar contar com a ajuda do velho conhecido Joe Bang (Daniel Craig), um criminoso com muita experiência. 

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Crítica: Detroit . 2017


Ninguém pode negar que Kathryn Bigelow sabe o que é criar tensão num filme! Detroit é a mancha agonizante do pesadelo que é a agressividade policial americana perante a comunidade afro-americana que ecoa nas suas raízes históricas. Com muito poder emocional, este é um retrato de exclusão social e controlo por partes das autoridades.

O filme é todo ele suportado por um lado fortemente documental, nomeadamente na sua introdução que vai inserindo as personagens no contexto histórico, uma época onde reinava a discórdia entre policias e negros, que lutavam pelos seus direitos sociais e civis por toda a cidade de Detroit, até chegar ao episódio onde se centra o verdadeiro conteúdo moral desta história e daquilo que foram os eventos reais passados no Algiers Motel em 1967, , algo que acabaria por resultar na morte de três jovens negros e no sequestro e espancamento de outras nove pessoas. Alertados por um alegado tiroteio, depois de revistar o motel e verificar que um suposto sniper não se encontrava no local, um grupo de indivíduos das forças policiais, resolve submeter um grupo de jovens a um jogo mental aterrorizante, consequência do racismo e abuso de poder por parte de representantes da lei.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Crítica: Footloose . 1984


Directamente do universo dos teenage movies dos 80's, Footloose é dos mais queridos perante a malta que viveu a juventude durante essa época. Por mim, foi visionado apenas ontem pela primeira vez, e é daqueles que transmite, para quem não viveu a sua época, o feeling que marcou a era. O argumento pode ter defeitos, e a originalidade pode ser pouca, mas a sua energia contagia e também nós queremos soltar o bailarino que há em nós!

Quando Ren (Kevin Bacon), um rapaz sofisticado de Chicago chega à pequena cidade de Bomont, apaixona-se por Ariel (Lori Singer) filha do reverendo Shaw Moore (John Lighgow) que molda muitas das mentalidades da região. Ren tem estilo e adora dançar, comportamento abolido na cidade, interpretado como sinal de pecado, consumo de drogas e álcool. O jovem decide que é indispensável mudar mentalidades e quer organizar um baile, mas para isso terá de contrariar a vontade do reverendo, e também enfrentar algumas das figuras mais importantes da escola. Seguindo a tendência de filmes do género que saíram durante a época, Footloose assume-se como o filme de adolescentes que é, vive de momentos descontraídos e de humor que existem apenas para divertir e não para serem levados a serio, um tanto quanto a despreocupação típica de um adolescente.

domingo, 3 de setembro de 2017

flash review : The Hitman's Bodyguard . 2017


The Hitman's Bodyguard, de Patrick Hughes (2017)

Com uma premissa como a deste filme é certo que podemos apenas esperar, nada mais do que diversão. Ryan Reynolds e Samuel L. Jackson são os tipos perfeitos para dupla de filme do género, quase como se o cinema estivesse a pedir uma versão nova de Riggs e Murtaugh, cujo ritmo é inigualável, mas a tentativa desse objectivo, não é totalmente má. O carisma de ambos faz com que o fraco argumento se torne tolerável e a gargalhada seja fácil. Joaquim de Almeida faz de Joaquim de Almeida, Gary Oldman até dá dó vê-lo nisto e a Salma Hayek está fabulosa no seu mini-role. Perdi a conta de quantas vezes ouvi a palavra motherfucker, mas se formos bem a ver, é disto mesmo que o filme vive. Asneirada constante uma atrás da outra, mas os dois tipos com pinta arrebitam toda a coisa!

Classificação final: ★★½

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Crítica: Atomic Blonde - Agente Especial (Atomic Blonde) . 2017


WOW! Fico mesmo feliz quando sou surpreendida. Atomic Blonde é um misto de cultura pop, muita acção e sensualidade que fazem dele um dos filmes do Verão, daqueles que vale mesmo a pena perder tempo a ver durante a august silly season.

Adaptado do graphic novel "The Coldest City", de Antony Johnston, Atomic Blonde é um thriller de espionagem passado em Berlim antes da queda do murro. Lorraine Broughton (Charlize Theron) é uma agente secreta do MI5, à qual é atribuída a missão de descobrir quem assassinou um agente britânico que tinha em sua posse uma lista de nomes bastante importantes. Rapidamente Lorraine vê-se envolvida no teia de morte e traição, assim que mete os pés na cidade de Berlim, onde vai ao encontro do também espião David Percival (James McAvoy) que adquiriu métodos pouco ortodoxos, recorrentemente colocando em risco a missão. Cabe a Lorraine desvendar os mistérios escondidos pela Guerra Fria, usando as suas melhores tácticas e intuições. Quente como o fogo, fria como gelo, ela é a mistura bombástica que da alma a esta história.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

flash review : Beatriz at Dinner . 2017


Beatriz at Dinner, de Miguel Arteta (2017)

De ritmo lento, mas muito rico em conteúdo Beatriz at Dinner é um autentico prato gourmet. Recheado de significado e comentário social, o filme faz o contraste entre a era em que vivemos actualmente e o mundo dos que sobrevivem e lutam dia-a-dia por uma vida melhor. O confronto entre classes sociais é uma constante e não poderia estar mais bem inserido no estado em que o mundo se encontra actualmente. Com a imigração e os valores sociais e humanos constantemente em cima da mesa, John Lithgow e Salma Hayek são ambos personagens fortes, que sustentam os diálogos inteligentes e lhe dão a credibilidade necessária. Salma Hayek está fantástica, num papel muito poderoso e diferente do habitual, desprovida da vaidade e do glamour habitual, brilha numa interpretação simples, emotiva e com muita essência.

Classificação final: ★★★★

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

flash review : Chuck . 2017


Chuck, de Philippe Falardeau (2017)

Gosto de um bom filme sobre pugilismo. Este estava na minha mira desde o final do ano passado, mas a falta de divulgação fez com que passasse despercebido. Na verdade, não é só esse o seu problema, porque afinal não passa de uma desilusão. Este é o filme sobre o homem por detrás dos filmes Rocky, a verdadeira inspiração de Sylvester Stallone, mas o pobre argumento e a falta de conteúdo - acontece tudo muito rápido, tão rápido que quase que falta lógica à maior parte dos acontecimentos cujo desenvolvimento é nulo - fazem com que Liev Shreiber não tivesse bom material com que trabalhar, num dos que poderiam ter sido dos grandes filmes da sua carreira. Descuidado e sem se preocupar realmente com os factos, todo o filme segue o mesmo caminho e história do seu protagonista, vive à custa do fenómeno Rocky, quando na realidade seria ele o verdadeiro motivo para tal fenómeno. Fica muito aquém de fazer jus a isso mesmo, não conseguindo demonstrar aquele espírito triunfante que se espera em algo do género. Uma tentativa de cópia de outros grandes filmes que abordam temas semelhantes, nomeadamente do cinema de Scorsese.

Classificação final: ★★½

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

flash review : Una . 2017


Una, de Benedict Andrews (2017)

Um intrigante e intenso thriller sobre os horrores da pedofilia. As performances de Rooney Mara e Ben Mendelsohn são bastante intrigantes e em conjunto com um constante ambiente sombrio, fazem com que a história de uma menina de treze anos, abusada sexualmente pelo vizinho ganhem outra credibilidade. O filme é todo ele sustentado por diálogos fluídos acompanhados de alguns flashbacks que nunca revelam demasiado, entre-calados com o confronto constante entre os dois personagens. Chegamos ao fim sem grandes conclusões sobre como realmente tudo aconteceu, mas ficamos com a certeza de que Una vive presa a um passado ainda bem presente, assim como o seu agressor. Um conto sobre os fantasmas de uma infância destruída e de uma mulher que nunca deixou de ser menina.

Classificação final: ★★★½
Trailer: https://youtu.be/UgiN35SC-hM 

domingo, 6 de agosto de 2017

Crítica: Baby Driver: Alta Velociodade (Baby Driver) . 2017


Hollywood precisa de Edgar Wright. Depois de cultivar durante vinte anos a ideia de fazer um filme sobre perseguições de carros sincronizadas musicalmente, nasceu este inspirado e energético baby. Independentemente do género, dá gosto ver um filme onde todos os elementos vivem em perfeita harmonia. Aqui as palavras e as acções ganham muito mais estilo ao som-de-um-bom-som, capaz de transformar as imagens em música para os nossos ouvidos. Divertido, repleto de acção e acima de tudo diferente, Baby Driver entra nos pelos olhos e pelos ouvidos adentro.

Baby (Ansel Elgort) é um jovem muito especial. Recatado e de poucas palavras, tem altas competências a nível da condução, que trabalha para Doc (Kevin Spacey) um grande criminoso da cidade de Atlanta, que requisita os seus serviços para o ajudar na fuga de múltiplos assaltos dos vários grupos de gangs com os quais faz parcerias. Mas logo percebemos que Baby destoa completamente dos requisitos do frio mundo do crime e não vê a hora de poder deixar este trabalho, ao qual se vê obrigado a comparecer até saldar a divida que tem para com Doc. A grande particularidade do seu trabalho, é o facto de não ser capaz de conduzir sem música. Prestes a participar no último assalto, Baby apaixona-se por Debbie (Lily James) e percebe que têm mesmo que tomar outro rumo na vida.

domingo, 30 de julho de 2017

CINEPHILIA | Mary Poppins (1964)


“Supercalifragilisticexpialidocious!” – Muitos poderão nunca ter visto Mary Poppins, mas todos vão saber de onde surgiu a palavra, que em jeito de canção, serve para expressar algo que não conseguimos descrever!

Em 1964, Robert Stevenson transportava para o grande ecrã a magia dos livros de P. L. Travers, transformando a simples mas adorável figura de Mary Poppins numa das mais importantes e emblemáticas personagens de filmes da Disney e num dos musicais mais conhecidos de todos os tempos. Aqui a inocência e alegria de ser criança tem um encanto muito especial e a fantasia se mistura com a realidade, deixando cada um de nos com um sorriso no rosto. Através de canções que ficam no ouvido, a magia de ser criança é encantadora, muito divertida e o positivismo é sempre uma constante.

Mr. Banks (David Tomlinson) é banqueiro em Londres e pai de Jane e Michael, dois miúdos irrequietos que não conseguem manter uma ama por muito tempo. Mary Poppins (Julie Andrews), uma ama com poderes mágicos está disposta a mudar isso, e em conjunto com o seu velho amigo Bert (Dick Van Dyke) vai mudar a vida daquela família, com muita diversão, muita musica e imaginação.

Apesar de sempre ter tido um grande peso na historia dos clássicos musicais de Hollywood, Mary Poppins ganha todo um novo significado, quando descobrimos mais sobre o filme e sobre a dificuldade que Walt Disney teve para poder transporta-lo para o cinema. Misturando animação com imagem real, através de uma história simples cheia de coração, esta simpática obra faz algo marcante para a época em termos visuais, destacando-se ainda nos dias de hoje não só por isso, mas também pela doçura e valor como filme de entretenimento familiar.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Crítica: Valerian e a Cidade dos Mil Planetas (Valerian and the City of a Thousand Planets) . 2017


What a fun ride! Para quem achava que lhe ia sair totalmente o tiro pela culatra, Valerian e a Cidade dos Mil Planetas é uma agradável surpresa que nos transporta para dentro de um universo extravagante, cujo o objectivo principal é entreter. Não se enganem, pois não será nada mais. Desprovido de grande intelectualidade e até brincando demasiado com a parte sentimental da coisa, Luc Besson continua a teimar enveredar por caminhos apertados, caminhos esses que o impedem de obter os resultados necessários. No entanto Valerian destaca-se pela capacidade de entreter o espectador utilizando uma dinâmica aceitável durante um pouco mais de duas horas de filme.

Em pleno século XXVIII, Valerian (Dane DeHaan) e Laureline (Cara Delevingne) são agentes da unidade de humanos da policia espacial, que em tempos pacíficos e de harmonia vivem numa galáxia que aprendeu a viver consoante as diferentes culturas e conhecimentos dos habitantes de múltiplos planetas. Valerian tem um sonho estranho sobre um planeta desconhecido, onde habitantes de uma raça desconhecida extraem pérolas que contém energia e usam uma espécie animal para as multiplicar. Nesse sonho o planeta é completamente dizimado. Valerian e Laureline recebem então uma missão, cujo objectivo é recolher em segurança um desses mesmos animais que Valerian vislumbrou no seu sonho e para o fazer terão de o resgatar de um dealer do mercado negro.

sexta-feira, 21 de julho de 2017

Crítica: Dunkirk . 2017


Perante a inércia daqueles que se viram encurralados pelos horrores da Segunda Grande Guerra, Christopher Nolan representa o lado bárbaro da mais dolorosa fase da história da humanidade. Dunkirk é para uns pouco fiel, para outros uma obra prima do cinema, para mim um filme com a sua importância que tanto conta com momentos absolutamente gloriosos, como com falhas difíceis de ultrapassar para quem o visiona.

Escrito e realizado por Christopher Nolan, Dunkirk relata acontecimentos passados naquela que foi intitulada como a Batalha de Dunquerque onde soldados britânicos e franceses ficaram encurralados no nordeste da França, pelas forças Alemãs durante a Segunda Guerra Mundial. Cercados por todos os lados, na costa francesa e sem grande escapatória, aqueles que lá se encontravam temiam o pior e já davam a batalha como vencida, quando para espanto de todos um número considerável de pequenos barcos e navios privados ajudaram no resgate a mais de 300.000 homens das praias de Dunquerque ao longo de todo o canal, acabando por ser tão importante no sucesso do resgate desses homens como os grandes navios da marinha. Uma demonstração de solidariedade por parte do povo britânico que viria a marcar de forma significativa o papel do cidadão comum durante a guerra.

Como fã de filmes de guerra, acho que a parte técnica é fulcral num filme do género, mas aqui essa parte sobrepõe-se ao resto. A dificuldade é tentar perceber se essa era realmente a intenção. O facto de ser tão bom a nível técnico acaba por nos fazer sentir um pouco dentro do filme, titular de uma sonoplastia fantástica e de uma ensurdecedora banda sonora de Hans Zimmer, que trabalha lado a lado com Nolan, na construção dos acontecimentos que são apresentados de forma visual sublime, com planos incríveis quer seja em terra, no mar ou no ar. Uma das coisas que considero mais interessantes é o facto de nunca vermos o inimigo. Algo que raramente (ou nunca) é feito em filmes do género e só por aí lhe atribuo uns pontos extra, pois a tensão também se constrói muito em parte por causa disso, retratando a constante insegurança e impotência do que é estar na pele de alguém que se encontra completamente desorientado perante aquele cenário. Enquanto Nolan preferiu apostar mais nesse lado, desprovendo os personagens de laços de emotividade, (quem sabe propositadamente, generalizando, para demonstrar que todos somos iguais perante situações de sobrevivência) seria bom tê-los vistos um pouco mais desenvolvidos, nem que fosse na partilha de experiências de guerra ali passadas. A verdade é que os personagens principais não conseguem ser capazes de criar grande empatia com a audiência (mau casting talvez!?), mas a força das imagens, combinadas com o som, e o medo do desconhecido, provocou em mim um nervoso miudinho, nem que fosse pelo lado humano do retrato de angustia das circunstâncias retratadas.

quarta-feira, 19 de julho de 2017

flash review : Okja . 2017


Okja, de Bong Joon Ho (2017)

Para qualquer amante de animais, é difícil não ficar emocionado com aquilo que constatamos aqui. Uma história sobre amizade, mais propriamente a amizade entre humanos e animais, que só quem sabe o valor que estas relações têm pode entender. Okja foi bastante comentado desde a sua estreia no Festival de Cannes há uns meses, e o burburinho foi tal que criou em mim diferentes ideias daquilo que estaria afinal perante mim. Muito mais que um filme sobre amizade, Okja é um filme sobre politica e direitos, que poderia ter arriscado muito mais, mas que não desaponta na bonita mensagem que transmite. Apesar da falta de desenvolvimento de algumas ideias ou da necessidade de inserir cenas em contexto, a fasquia mantém-se elevada com as magnificas performances da protagonista Ahn Seo-hyun, a camaleónica Tilda Swinton e de um Jake Gyllenhaal super tresloucado! Não podemos esquecer o adorável Okja, pelo qual aproveito para elogiar a qualidade de efeitos especiais que transportam super-porcos para os dias de hoje. Bong Joon Ho fez um filme fofinho, mas com conteúdo.

Classificação final: ★★★★

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Crítica: Baywatch: Marés Vivas (Baywatch) . 2017


Não posso mentir, ver um filme com o Dwayne Johnson está a tornar-se um serissímo guilty pleasure! O tipo tem carisma, e não é à toa que é um dos mais bem pagos do momento. Baywatch: Marés Vivas é daqueles casos em que fazer um filme sobre o tema era estritamente desnecessário, mas que já se sabe que vai facturar milhões. Basicamente, aqui estamos perante uma compilação gigante de episódios da série de sucesso dos anos 90 com o mesmo nome, com momentos de pura parvoíce de fácil gargalhada, mas de ficam um pouco à quem da originalidade, colocando-se no mesmo patamar que muitas outras que temos visto ultimamente.

O tenente Mitch Buchannon (Dwayne Johnson) e a sua equipa de nadadoras salvadoras, Stephanie Holden (Ilfenesh Hadera) e C. J. Parker (Kelly Rohrbach) vigiam e protegem as praias da Flórida criando uma divisão de elite intitulada de Baywatch. Quando uns pequenos sacos de droga começam a aparecer na posse dos frequentadores da praia, Mitch começa a investigar o que o leva até à empresária de sucesso na área, Victoria Leeds (Priyanka Chopra). Prontos a prestar provas para entrar para a equipa estão a surfista Summer (Alexandra Daddario), o nerd gorducho Ronnie (Jon Bass) e o campeão olímpico Matt Brody (Zac Efron), que apenas se prestou a provas por estar sob um acordo de trabalho comunitário. Juntos vão tentar desmantelar a rede de tráfico de drogas na área que começa a provocar insegurança e a ameaçar o bem estar em toda a costa.

quarta-feira, 12 de julho de 2017

CINEPHILIA | Moulin Rouge! (2001)


Viva a celebração do amor! Moulin Rouge! pode ter todos os defeitos do mundo e mesmo assim consegue ser incrivelmente cativante, entrando no ano de 2001 para a categoria de filmes para ver antes de morrer. Baz Luhrmann constrói uma ode moderna ao romantismo, contendo todos os truques necessários para o sucesso de uma história de amor, por vezes bem lamechas, outras vezes bem original, divertido, colorido, glamoroso e apaixonante. É estranho como a sua estranheza se entranha facilmente e uma irresistível vontade de o rever cresce, provocando até aos menos susceptíveis aos temas amorosos um certo bichinho armado em cupido com graves repercussões que causam sintomas de visionamentos em loop.

Tudo se passa em 1900. Christian (Ewan McGregor), um jovem poeta britânico, decide tentar a sua sorte em Paris, considerada por muitos como cidade boémia e cheia de liberdade onde tudo é possível para um artista e triunfar é fácil. Por lá é acolhido pelo pintor Toulose-Lautrec (John Leguizamo) e seus amigos, habituais frequentadores do Moulin Rouge, o famoso bordel de Harold Zidler (Jim Broadbent), onde reina o sexo, as drogas e o cancan de inúmeras e belíssimas mulheres. A maior estrela de todas é Satine (Nicole Kidman), e Christian fica absolutamente rendido aos seus encantos. Loucamente apaixonado, Christian é confundido com o poderoso Duque de Monroth (Richard Roxburgh), potencial investidor do cabaret, e Satine acaba por se apaixonar também por ele. Christian acaba por viver uma paixão arrebatadora, percebendo o verdadeiro sentido do amor, que tem tanto de belo como de trágico, pois mais vale viver um grande amor do que nunca ter vivido amor algum.

Considerado por muitos como um dos piores dos últimos tempos, Moulin Rouge! é dos tais que se ama ou se odeia. Frenético, exagerado, extravagante é um autentico espectáculo visual que contém um pequeno toque de muitas das histórias de amor mais famosas de sempre. Baz Luhrmann usa a música para contar uma história, misturando elementos modernos e modificando letras e arranjos de forma a que sejam adaptadas e inseridas num contexto próprio. A música como elemento de cultura pop é contrastada com o ambiente La Boheme francês criando um ambiente interessante e uma forte conexão com a audiência. O enredo é inspirado essencialmente nas obras de Verdi, Puccini e Offenbach, transformando a visão do que seriam as operetas do século XIX. O componente teatral está sempre presente, desde o aspecto cenográfico à representação do elenco de peso, liderado por Nicole Kidman e Ewan McGregor, que imortalizam Satine e Christian, e os transformam num dos casais mais carismáticos do cinema. À medida que vamos avançando na história, esta fica mais sombria, nunca perdendo o encanto, mas largando aos poucos a alegria mergulhando na tristeza profunda de um amor que sabemos que não irá prevalecer. O estilo muitas vezes sobrepõe-se à substância, mas nunca tentar ser algo mais do que é suposto.

É impossível não admirar o esforço criativo de todos os aspectos do filme, que sem medo de arriscar foram pioneiros numa viragem no que toca ao estilo musical em Hollywood, onde o tradicional e o moderno se transformam e se complementam. É fácil entrar no espírito e viver esta experiência espectacular, onde a musica e as cores retratam o poder do amor.

"The greates thing you'll ever learn is just to love and be loved in return".

terça-feira, 4 de julho de 2017

flash review : The Discovery . 2017


The Discovery, de Charlie McDowell (2017)

E se num futuro próximo existissem provas de vida para além da morte? Através da descoberta de um cientista essas provas estão comprovadas e uma grande percentagem de pessoas no mundo começa a cometer suicídio. Restam apenas alguns sépticos, nomeadamente o filho desse mesmo cientista e uma mulher misteriosa que desperta o seu interesse. The One I Love (2014), o filme anterior do realizador Charlie McDowell foi tão bom que as expectativas para este estavam altas e talvez por conta disso tenha saído mais decepcionada do que satisfeita. Uma variável de grandes ideias muito mal desenvolvidas e Jason Seagle que não sobressai num papel que parece não encaixar na perfeição na sua pele. A química entre ele e Rooney Mara é quase inexistente e forçada, e nem ela nem Robert Redford conseguiram tornar isto um bocadinho mais interessante. Apesar de todo o seu potencial, a verdade é que nada aqui se destaca verdadeiramente.

Classificação final: ★★★

sexta-feira, 30 de junho de 2017

Crítica : O Muro (The Wall) . 2017


A maior parte dos filmes de guerra, optam por cenários de combate onde a acção no terreno é o principal campo de batalha do bem contra o mal. Em O Muro o principal cenário são na realidade os vestígios de uma guerra que mesmo depois de acabar continua a semear dum lado um lugar que é dado por conquistado, por outro vingança e revolta. Realizado por Doug Liman (The Bourne Identity, Edge of Tomorrow) este é um thriller de ritmo lento, mas muito intenso que prende do inicio ao fim.

Estamos em 2007 e a Guerra do Iraque está oficialmente acabada. Quando Allan Isaac (Aaron Taylor-Johnson) e Shane Matthews (John Cena), dois army rangers são destacados para responder a um pedido de socorro, deparam-se com um cenário um pouco estranho. Camuflados à distancia, observam que no terreno se encontram oito corpos sem vida e algo de muito estranho se passa. Tudo indica que será um trabalho de um sniper, mas não havendo certezas Matthews sente-se demasiado confiante para descer ao terreno e investigar mais de perto. Quando aparentemente o que parecia tranquilo, transforma-se num autentico jogo de gato e rato, quando Matthews é atingido e põe também em risco a vida de Isaac que para tentar socorrer o companheiro, acaba por se refugiar, ferido atrás de um muro de pedras.

domingo, 25 de junho de 2017

Crítica: Mulher Maravilha (Wonder Woman) . 2017


A DC Comics têm deixado todos um pouco com um pé atrás. Desde os tempos da trilogia The Dark Night que os filmes têm vindo a perder o brilho e o interesse que Christopher Nolan colocou outra vez no mundo dos super heróis e foi preciso uma senhora para restituir o brilho desses tempos! Patty Jenkins realiza este Mulher Maravilha cheio de girl power, mas acima de tudo conjugando uma realização competente, com um argumento bem estruturado com uma história que segue os seus princípios até ao fim, aliada a uma mensagem importante sobre valores humanos e muito carisma no que toca aos seus personagens.

Na ilha escondida de Themyscira, casa das guerreiras amazonas criada pelos deuses do Olimpo para proteger a raça humana, nasceu e foi educada Diana (Gal Gadot), filha de Hippolyta (Connie Nielsen) e Zeus, que deixou a essas guerreiras uma arma poderosa capaz de matar o seu filho Ares, Deus da Guerra. Hippolyta acredita que Ares nunca irá regressar, mas a sua irmã Antiope (Robin Wright) treina Diana para ser guerreira, mesmo contra a vontade da mãe. Quando o avião do espião americano Steve Trevor (Chris Pine) cai na ilha de Themyscira, a ilha é invadida por militares Alemães que o perseguem, o que compromete o secretismo em torno da ilha mágica criada pelo rei dos deuses. Ao ver a fúria e o ódio dos homens perante si, Diana decide voltar para o mundo dos homens com Steve, para combater Ares acreditando que ele é o responsável pelo cenário da Primeira Guerra Mundial, que encontra assim que chega a Londres.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

flash review : Colossal . 2016


Colossal, de Nacho Vigalondo (2016)

Uma mulher alcoólica descobre que uma série de eventos catastróficos a ocorrer na Coreia envolvendo um monstro kaiju, têm de alguma forma conexão com as suas atitudes enquanto embriagada, tudo isto consequência do seu estado emocional. Aqui percebemos que estamos perante algo criativo e único. Colossal é diferente do que estamos habituados a ver, algo que advém desta nova onda de filmes ligados ao género do horror / thriller que tão bem têm animado o panorama dentro do género. É muito interessante como consegue ser por vezes incomodativo pela forma como a violência e a agressividade das palavras e dos actos são apresentados, tudo com o objectivo de abordar temas sociais relevantes. Apesar de alguns toques de comédia nele contidos, consegue ser muito mais dark do que imaginávamos quando nos deparamos com os temas do alcoolismo ou da doença mental, bem ilustrados pelos protagonistas Anne Hathaway e Jason Sudeikis. Um filme sobre os monstros escondidos dentro de cada um de nós, e sobre a forma como podemos mudar o rumo às coisas menos boas se acabarmos com eles.

Classificação : ★★★★½