sábado, 9 de dezembro de 2017

Crítica: Coco . 2017



O nível de qualidade dos filmes da Pixar Animation Studios é sempre tão elevado, que manter a fasquia tão alta é algo extremamente dificil de concretizar. A verdade é que continuam a conseguir esse feito. Realizado por Lee Unkrich - responsavel por Toy Story 3 - e co-realizado por Adrian Molina, Coco tem como inspiração a cultura mexicana e as suas tradições, que acabam por ir buscar a essencia de alguns valores que são universais.

Esta é a história de Miguel Rivera, um menino de doze anos de uma pequena aldeia mexicana, que sonha vir a ser um dia um grande cantor como o seu idolo Ernesto de la Cruz, o maior cantor mexicano de todos os tempos. Imelda Rivera, a matriarca da familia há muitas gerações que baniu a música da vida de todos os membros devido ao desgosto amoroso que sofreu jovem, quando o marido a abandonou a ela e à filha Coco, em troca de uma vida de fama e sucesso como cantor. Miguel vive desgostoso por não poder mostrar a todos o quanto a música faz parte da sua vida, e não vê outro futuro para si se não o mesmo de todos os outros familiares, trabalhar no negócio de sapatos da familia. Mas é aquando da celebração do Dia de los Muertos, que Miguel viverá uma gigantesca aventura, quando tem a oportunidade de se reunir com os seus entes queridos, os que já estão mortos.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Crítica: O Espírito da Festa (Le Sens da la Fête) . 2017


Perante muitas das escolhas possiveis que temos actualmente em cartaz em Portugal, esta talvez não fosse a escolha mais obvia. Optando por algo mais light e divertido, e tendo em conta o trabalho anterior dos realizadores do filme, Le Sens de la Fête é a escolha descontraida, de quem quer ver algo agradável e descomplicado. 

Max (Jean-Pierre Bacri) é um organizador de casamentos cuja modernidade dos requisitos do oficio se estão a tornar muito dificies de gerir. Naquele que pondera ser o último evento de casamento organizado por si, Max tem de lidar com as indignações dos seus colaboradores, com o mau feitio do seu braço direito Adèle (Eye Haidara), com as excentricidades do cantor da banda James (Gilles Lellouche), ao mesmo tempo que lida com o fim do seu próprio casamento e com o relacionamento que vive em segredo com uma das suas colaboradoras, Josiane (Suzanne Clément). Para piorar as coisas, as exigências do vaidoso noivo vão para além das esperadas e a noite mais feliz da vida dos noivos, pode se transformar numa das piores da vida de Max e da sua equipa.

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Crítica: Liga da Justiça (Justice League) . 2017


Mais um filme de super-heróis sem grande relevância, mas que apela ao entretenimento. Patty Jenkins fez este ano com Wonder Woman, tudo aquilo que Zack Snyder foi incapaz de fazer por Man of Steel ou por Batman v Superman. Jenkins voltou a dar alma aos filmes da DC Comics, alma perdida desde os tempos de Nolan, ainda que num tom muito menos dark. Justice League consegue ser mais equilibrado, mais tolerável de se ver, com momentos bons, mas também com momentos maus e desnecessários que acabam por afirmar aquilo que continua a acontecer na maior parte dos casos quando falamos deste tipo de filmes.

Enquanto o mundo continua a recuperar da perda enorme de Super-Homem (Henry Cavill), cuja esperança de viver num mundo mais protegido foi totalmente devastada, cabe agora a Batman (Ben Affleck) e Wonder Woman (Gal Gadot) reunir uma equipa de super-heróis para resgatar três "mother boxes", caixas que contêm um poder maligno que pertencem a demónios, liderados por Steppenwolf (Ciarán Hinds) que tem o objectivo de provocar o apocalipse e dominar o planeta. Aos já conhecidos juntam-se Flash (Ezra Miller), Aquaman (Jason Momoa) e Cyborg (Ray Fisher). 

domingo, 19 de novembro de 2017

Crítica: Um Crime no Expresso do Oriente (Murder on the Orient Express) . 2017


Ao longo dos tempos, vários têm sido os exemplos de que um bom elenco não é sinónimo de bom filme. Recheado de glamour visual, mas pobre em envolvência e mistério, Um Crime no Expresso do Oriente é baseado num dos mais conhecidos crime novels da intemporal Agatha Christie, cujo resultado desta nova versão é tudo menos aquilo que ela nos habituou. Falta-lhe exactamente o ambiente de suspeita constante característico das suas obras.

O famoso detective belga Hercule Poirot (Kenneth Branagh), por ocasião de mais uma investigação em Istambul, recebe um telegrama para regressar a Londres, marcando de imediato viagem através do seu amigo M. Bou (Tom Bateman) director da linha férrea embarcando com ele no luxuoso comboio Orient Express. Já em viagem, Poirot é abordado pelo mafioso Mr. Rachett (Johnny Depp), que acredita estar a correr perigo de vida, recorrendo aos serviços de Poirot para investigar o caso, pedido que este rejeita. Durante o segundo dia de viagem, o comboio é forçado a parar depois de uma forte derrocada de neve, e aí se descobre que Rachett tinha sido assassinado no decorrer dessa noite. Quando Poirot decide começar a investigar esta estranha morte, começa a perceber que todos os passageiros do comboio têm algum tipo de ligação entre si, assim como misteriosamente têm algum tipo de conexão com o mafioso. Várias teorias surgem, e o perspicaz detective tem pouco tempo para desvendar o caso, tornando-se cada vez mais perigoso permanecer num ambiente de desconfiança. Teria o criminoso entrado e saído do comboio sem ninguém dar por isso? Ou o assassino estaria entre si?

domingo, 5 de novembro de 2017

flash review : The Meyerowitz Stories . 2017


The Meyerowitz Stories, de Noah Baumbach (2017)

É imprescindivel começar a falar deste filme, mencionando em primeiro lugar a pérola que é Adam Sandler, tantas vezes ligado a filmes mediocres, tendo aqui uma excelente performance, sendo quem mais se destaca, quem de tempos a tempos lá se lembra de demonstrar que consegue equilibrar na perfeição a tragédia e a comédia deixando-nos a todos replectos de estupefacção. Noah Baumbach é cada vez mais uma extensão de Woody Allen, preveligiando Nova Iorque a cada filme que passa e tornando-a sempre interessante, associada quase sempre a um estilo de vida frenético e ao tipo de pessoas cujos laços familiares são dos mais disfuncionais possíveis. Um estudo sobre várias gerações e aspirações de vida, onde a arte da vida se reflete sempre nos valores que nos são transmitidos e naquilo que fazemos para poder mudar isso a nosso favor. Dustin Hoffman é um pai longe da perfeição, cujos filhos Sandler, Ben Stiller e Elizabeth Marvel, tentam uma aproximação agora que o pai caminha para uma idade mais avançada. A tensão e as relações entre pai e filhos é estudada de forma individual, dando-nos a conhecer melhor cada uma das personalidades. Existindo uma grande química entre actores The Meyerowitz Stories faz nos relacionar com algumas situções, ao mesmo tempo que nos faz julgar um pouco algumas das atitudes dos personagens, sempre com toques humoristicos, sem deixar de mencionar por isso mesmo a brilhante Emma Thompson. Um daqueles bons, directamente do mundo maravilhoso dos indie.

Classificação final: ★★★★

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

flash review : A Ghost Story . 2017


A Ghost Story, de David Lowery (2017)

Dificilmente se recupera de um luto e infelizmente em alguma altura das nossas vidas, já passamos por esse sofrimento. Para todos nós, há maneiras de superar a perda, que passam pelos mais variados aspectos, mas será que aqueles que partem, sofram também desse pesar!? A Ghost Story explora aparentemente o outro lado da moeda, o lado de quem parte, imaginando como seria se os espiritos sentissem solidão sem aqueles continuam no mundo dos vivos. David Lowery retrata este conto através da perspectiva de Casey Affleck, um homem que acaba de falecer e vê a esposa Rooney Mara em constante sofrimento, tendo mais tarde de abandonar a casa onde viviam, deixando-o preso naquelas quatro paredes. O ritmo é lento, e envereda por caminhos cujos quais não estamos à espera, sendo muito mais um filme de introspecção do que algo do género "casa assombrada". O twist final é bastante interessante e chegamos até uma ideia mais profunda, que tanto pode explorar a morte como pode tentar explicar afinal o que é o sentido da vida. No entanto, confesso que tinha uma ideia diferente daquilo que me esperava e apesar de não deixar de ser interessante, os rasgos de Malick são um pouco desnecessários e querem torná-lo mais complicado do que aquilo que é.

Classificação final: ★★★½