quarta-feira, 21 de junho de 2017

flash review : Colossal . 2016


Colossal, de Nacho Vigalondo (2016)

Uma mulher alcoólica descobre que uma série de eventos catastróficos a ocorrer na Coreia envolvendo um monstro kaiju, têm de alguma forma conexão com as suas atitudes enquanto embriagada, tudo isto consequência do seu estado emocional. Aqui percebemos que estamos perante algo criativo e único. Colossal é diferente do que estamos habituados a ver, algo que advém desta nova onda de filmes ligados ao género do horror / thriller que tão bem têm animado o panorama dentro do género. É muito interessante como consegue ser por vezes incomodativo pela forma como a violência e a agressividade das palavras e dos actos são apresentados, tudo com o objectivo de abordar temas sociais relevantes. Apesar de alguns toques de comédia nele contidos, consegue ser muito mais dark do que imaginávamos quando nos deparamos com os temas do alcoolismo ou da doença mental, bem ilustrados pelos protagonistas Anne Hathaway e Jason Sudeikis. Um filme sobre os monstros escondidos dentro de cada um de nós, e sobre a forma como podemos mudar o rumo às coisas menos boas se acabarmos com eles.

Classificação : ★★★★½

sábado, 17 de junho de 2017

flash review : Free Fire . 2017


Free Fire, de Ben Wheatley (2017)

Pode não ser a coisa mais original que já viram nas vossas vidas, mas é sem dúvida a mais divertida e bem conseguida que vão ver no decorrer deste ano. Grandes personagens, situações hilariantes e tudo isto passado num só local. Como cenário temos um armazém abandonado em plenos anos 70 e dois gangs rivais a tentar negociar armas. No meio de tanta testosterona encontramos também por lá Brie Larson, uma miúda com fibra que apesar de se ver metida em sarilhos, consegue sobressair no meio de tanto homem. As balas vão voar e tudo acaba por se transformar num jogo de sobrevivência. A combinação perfeita entre acção às carradas e gargalhadas às carradas. Sharlto Copley, Sam Riley e especialmente Armie Hammer estão deliciosos. Free Fire a ilustrar que os homens (e os seus egos) conseguem ser uns grandes totós. Ver um bando de gente aos tiros nunca foi tão divertido!

Classificação : ★★★★★

segunda-feira, 29 de maio de 2017

Alien: Covenant . 2017


Ridley Scott regressa ao universo Alien, com Covenant o follow up de Prometheus, que em 2012 não causou o melhor dos impactos aos fãs da saga - do qual pessoalmente gostei - revelando-se bastante complexo, levantando suspeitas sem nunca evidenciar nada em concreto criando um certo misticismo em torno da origem da existência dos alien. Ao contrario disso, Covenant revela até demais, acabando um pouco com o mistério em torno do da origem das criaturas mais assustadoras de sempre do cinema sci-fi.

A história já é familiar. Passados dez anos dos eventos de Prometheus, a tripulação da nave Covenant percorre o espaço destinada a começar uma colónia num planeta distante da Terra que dá pelo nome de Origae-6. Os membros da tripulação são compostos por casais, cuja missão é manter em segurança 2000 colonos em hibernação espacial, que irão habitar no novo planeta. E aqui estamos novamente perante os primórdios da saga, onde elementos que já conhecemos são novamente abordados. Ridley Scott resolve voltar ao cerne da questão, optando por voltar a aterrorizar a audiência com a presença assustadora dos Xenomorph, fazendo também revelações sobre a criação da sua espécie.

quarta-feira, 17 de maio de 2017

ALIEN . RETROSPECTIVA


Esta semana com a chegada de Alien: Covenant, de Ridley Scott, faço uma retrospectiva apenas pelos primórdios filmes Alien (ficando a faltar ainda outra sequela Alien: Ressurection de 1997 realizado por Jean-Pierre Jeunet e a prequel Prometheus de 2012 que trouxe de volta Ridley Scott ao universo Alien), a franquia que deu a conhecer ao mundo a destemida Tenente Ellen Ripley e os temíveis Alien ou se preferiram Xenomorph.

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ALIEN (1979)

Há 38 anos atrás, Ridley Scott apresentava ao mundo a saga que o tornaria num dos realizadores mais consagrados da sua era. Alien, serve ainda hoje de referência para muito do que é feito dentro do género do sci-fi e do terror, marcando gerações e desencadeando interessantes teorias e mistérios ao longo destes anos. Sigourney Weaver surpreendia todos, saltando para as luzes da ribalta em Hollywood, com a corajosa Ellen Rippley, representando uma das personagens femininas mais badass de sempre, colocando numa posição de heroína e figura importante que fortalecia o papel da mulher perante mentalidades mais conservadoras. Perante um retrato do desconhecido, Alien mergulhava nas profundezas do universo criando uma atmosfera crescente em suspense e claustrofobia, capaz de inquietar a cada revelação chegando ao climax perfeito, a um ritmo perfeito. 

Abordo da nave Nostromo, já de regresso ao planeta Terra, estão sete tripulantes em hibernação espacial. Quando é detectado um misterioso sinal transmitido de um planetóide a tripulação acorda, investiga a situação e dá de caras com uma atmosfera inusitada, onde uma nave alienígena com uma enorme carcaça no seu interior, parecendo ter explodido, contém dentro do seu peito vários ovos, um dos quais lança uma criatura para o rosto de um dos membros da equipa. A tensão entre membros da equipa vai aumentando, existindo confrontos entre todos perante a inesperada situação.

Alien é um dos mais assustadores filmes de sempre, permanecendo na mente dos que o vêem. Simples e efectivo. Por mais que o queiram imitar, nada bate a construção perfeita desta original pérola não só do sci-fi, mas também do horror.

terça-feira, 9 de maio de 2017

Crítica: Música a Música (Song to Song) . 2017


Sabemos bem que Terrence Malick tem um jeito especial de fazer filmes, onde por vezes chega a ser difícil explicar o existente fascino pelas suas obras. Apesar de parecer, este não é definitivamente um filme sobre música, é mais uma vez um filme sobre pessoas e relações, sem nunca esquecer o habitual voiceover que acompanha a beleza natural que é a vida, aos olhos do realizador. Nem sempre equilibrado, nem sempre claro, mas é difícil não admirar o trabalho tão próprio e intimo de Malick.

Com o cenário central do South by Southwest Music Festival, o famoso festival de música da cidade de Austin no Texas, Música a Música segue os caminhos entrelaçados de dois casais, a aspirante a música Faye (Rooney Mara), o produtor musical Cook (Michael Fassbender) namorado de Faye, BV (Ryan Gosling) outro músico e também namorado de Faye, e a insegura empregada de mesa Rhonda (Natalie Portman) que casa com Cook. A cima de tudo esta é uma história sobre paixão, sedução, ambição e traição onde tentamos desvendar as peças soltas de um puzzle, através da peculiar narrativa de Terrence Malick, sempre complexa e sempre diferente.