terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Crítica: Animais Nocturnos (Nocturnal Animals) . 2016


Escrito, produzido e realizado por Tom Ford, Animais Nocturnos é uma das melhores surpresas deste ano. Não é a primeira vez que o estilista que se transformou em realizador surpreende, tendo grande habilidade para nos prender e encantar com os seus trabalhos, como já o tinha feito em 2009 com A Single Man.

Susan (Amy Adams) é rica, sofisticada e dona de uma galeria de arte em Los Angeles. Apesar da sua vida de sonho, vive infeliz, presa ao passado e a uma vida que nem sequer chegou a ter tempo de construir decentemente com o ex-marido Edward (Jake Gyllehaal), um escritor falhado que nunca lhe conseguiria proporcionar a vida luxuosa que ambicionava, mesmo existindo muito amor entre os dois. Agora ao lado do actual marido Walker (Armie Hammer), Susan é uma mulher triste, atormentada pelas decisões erradas que outrora tomou, e ao receber em casa a encomenda de um livro escrito pelo ex-marido intitulado de "Nocturnal Animals", pedindo a sua opinião sobre este, começa de imediato a lê-lo e a ficar cada vez mais perturbada com o que lê. O livro é um thriller sobre a história de um assassinato no Texas, cujos personagens e situações têm algo de muito familiar a Susan. Mas existe muito mais do que aquilo que vemos à superfície. Uma história sobre triunfo, vingança, desespero, amargura e sentido da felicidade, com uma forte crítica social à mistura.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Crítica: Aliados (Allied) . 2016


Robert Zemeckis aposta pela primeira vez num drama passado durante a Segunda Guerra, que tem mais de thriller romanceado com muito glamour, do que propriamente algo focado no período histórico em que se insere. 

O agente secreto Max Vatan (Brad Pitt) acaba de aterrar de para-quedas no Norte de África e dirige-se para Casablaca, onde tem como missão assassinar o embaixador alemão e terá como ajuda a belissima Marianne Beusejour (Marion Cotillard) agente da Resistência Francesa. Marianne tem já o terreno preparado e quando Max lá chega, os dois têm de fingir ser casados e impressionar os nazis locais que entretanto foram criando amizade com Marianne. Ambos têm de ser credíveis não causando quaisquer suspeitas, e rapidamente a relação profissional entre os dois se torna algo mais e os dois se apaixonam. Depois da missão ambos escapam e Max pede a Marianne que volte com ele para Londres e se casem. Com esta relação a avançar tão rapidamente, suspeitas sobre a verdadeira identidade de Marianne se levantam e as suas intenções para com Max começam a ser questionadas.

domingo, 20 de novembro de 2016

Crítica: O Primeiro Encontro (Arrival) . 2016


Quando gostamos muito de um realizador, é um pouco difícil não criar certas expectativas. Denis Villeneuve decide agora apostar num género diferente do que tem feito, seguindo os passos de Interstellar ou Gravity, onde os sentimentos do ser humano são explorados, ao mesmo tempo que a imensidão de um universo, o futuro e as complexidades do desconhecido são abordadas.

Misteriosamente, naves espaciais alienígenas aparecem em vários sítios no planeta Terra. Nada se sabe sobre elas, o que contêm ou o porquê de terem aparecido e escolhido aquelas localizações especificas. Louise Banks (Amy Adams), professora de linguística é escolhida pelo exército americano, para fazer parte da equipa de investigação em campo devido a um trabalho de tradução de alta segurança que tinha feito em tempos para o governo. Também fazem parte da equipa o físico Ian Donnelly (Jeremy Renner) e o coronel Weber (Forest Whitaker), e todos estão focados na importância do primeiro encontro com os seres desconhecidos que comandam as naves e nas suas intenções. No inicio do filme, vemos imagens do passado de Louise e da filha, que morre na adolescência. No seu olhar sentimos o amor, a mágoa e a dor da perda de um filho, e sabemos que apesar do seu pesar, ela terá um papel definitivo e propositado nesta história, onde o passado e o futuro se ligam de forma fortíssima, e os aliens não só têm algo a transmitir como abrem caminho a várias teorias.

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Crítica: Lion - A Longa Estrada Para Casa (Lion) . 2016


Realizado por Garth Davis, Lion - A Longa Estrada Para Casa é o filme baseado no livro "A Long Way Home" de Saroo Brierley, contando a sua história de vida como pobre menino indiano que se perde da família com apenas cinco anos e vai parar à Austrália à casa de um casal da alta sociedade. 

No final dos anos 80, na Índia, um menino de seu nome Saroo (Sunny Pawar) separa-se do irmão numa estação de comboio, quando este se ausenta para trabalhar. Saroo acaba por ir parar dentro de um comboio a imensos quilómetros de distancia de casa, desorientado e sem saber como regressar para junto do irmão e da mãe. Depois de andar a vaguear pelas ruas durante um tempo, sujeito a muitos perigos e situações complicadas, acaba por ir para a um orfanato. Posteriormente é enviado para a Tasmania, onde começará uma nova vida junto de um casal australiano (Nicole Kidman e David Wenham) que o decide adoptar. Avançamos no tempo vinte anos e encontramos um Saroo (Dev Patel) diferente, sempre transparecendo um certo vazio no olhar, que mesmo com uma vida aparentemente perfeita, se sente cada vez mais incompleto à medida que vai conseguindo relembrar alguns dos momentos que passou com a família biológica. Através da namorada (Rooney Mara) e um grupo de amigos, Saroo descobre a mais recente invenção da Google, o Google Maps e é então que se dedica dia e noite pela busca da sua verdadeira família. Um filme sobre sentimentos e relações que aborda adopção, pobreza e o real sentido de felicidade e do amor sob diferentes formas.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Crítica: Ela (Elle) . 2016


Não é muito comum vermos retratada no cinema histórias sobre violações da maneira que esta é retrata. Paul Verhoeven (Instinto Fatal, 1992) aventura-se pela primeira vez na lingua francesa com a maravilhosa Isabelle Hupert a comandar operações. Ela é um thriller sobre insanidade e vingança, que aborda temas delicados, como se uma comédia de humor negro se trata-se.

Uma cena cruel e impiedosa dá inicio ao filme e logo de forma abrupta estamos perante uma invasão de propriedade e uma violação. A vítima é Michèle (Isabelle Hupert) é uma mulher de negócios de meia idade. Ao contrário daquilo que imaginamos, Michèle não reage de forma que estamos à espera, mas sim de forma natural e desprezível, como se nada se tivesse passado. Arruma o local do crime, não chama a policia nem sequer demonstra algum tipo de sentimentos acerca do que acabou de suceder. Ao longo do filme, vamos descobrindo alguns detalhes importantes da vida desta mulher e vamos entendendo o porquê de algumas atitudes. Mas não todas. Michèle é um personagem bastante intrigante, daquelas que mesmo depois do final de uma história, permanecem connosco e nos fazem questionar algumas das situações que acabamos de assistir.

domingo, 6 de novembro de 2016

Crítica: American Honey . 2016


American Honey provocou burburinho este ano em Cannes. Escrito e realizado pela britânica Andrea Arnold (Fish Tank, 2009) acabou por levar para casa o Prix du Jury. Ora alegre, dinâmico, ora triste e silencioso, alcança na perfeição o seu objectivo, levando-nos numa jornada emocional por caminhos onde se "encontra amor em sítios sem esperança".

Começamos por conhecer Star (Sasha Lane), uma rapariga de dezoito anos, à procura de comida no lixo, com duas crianças mais novas, das quais é obrigada a tomar conta. Cansada das responsabilidades de adulto, e de não poder viver a liberdade do que é ser adolescente, Star parte para a aventura, juntando-se a um grupo de jovens que vendem revistas porta a porta, percorrendo os Estados Unidos, sem nada a perder, prometendo aos outros e a si mesma que irá trabalhar muito e que ninguém dará pela sua falta. Rapidamente Star, fica encantada com a sedução de Jake (Shia LaBeouf), o melhor vendedor do grupo e também agente, sendo ele o responsável pelo recrutamento, às ordens da manager do gang Krystal (Riley Keough). Aqui Star encontra uma realidade diferente, sem responsabilidades onde todos vivem o dia-a-dia sem rumo, dormindo em motéis, com sexo, drogas e álcool lado a lado. A estes jovens vendedores tudo é permitido, com uma condição, trazer o máximo de dinheiro ao fim do dia, de preferência enganando os clientes da melhor maneira possível.