domingo, 17 de setembro de 2017

Crítica: Sorte à Logan (Logan Lucky) . 2017


Depois de ter afirmado há uns anos que se iria retirar do mundo da realização, ficando apenas ligado a projectos televisivos, Steven Soderbergh quebra a promessa para o bem da humanidade. Simples, mas com estilo e uma grande dose de humor inteligente, Logan Lucky é mais uma certeza que Soderbergh tem obrigatoriamente que continuar a cultivar este lado da carreira.

Jimmy Logan (Channing Tatum) e Clyde Logan (Adam Driver) são irmãos e consideram-se bastante azarados na vida. Jimmy tinha uma carreira promissora no football que lhe escapou derivado a uma lesão num joelho. Clyde é um veterano da guerra do Iraque, que perdeu parte de um braço em combate. Longe de ligar a superstições está a irmã Mellie Logan (Riley Keough). Quando Jimmy descobre a que a sua ex-mulher Bobbie (Katie Holmes) está a pensar mudar-se para outra cidade com a filha de ambos, Jimmy elabora um plano que consiste em assaltar uma pista de corridas de Nascar, pois adquiriu conhecimentos da forma como funciona o sistema pneumático de recolha de dinheiro durante as corridas durante uns tempos em que lá trabalhou. Para que o plano resulte vão precisar contar com a ajuda do velho conhecido Joe Bang (Daniel Craig), um criminoso com muita experiência. 

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Crítica: Detroit . 2017


Ninguém pode negar que Kathryn Bigelow sabe o que é criar tensão num filme! Detroit é a mancha agonizante do pesadelo que é a agressividade policial americana perante a comunidade afro-americana que ecoa nas suas raízes históricas. Com muito poder emocional, este é um retrato de exclusão social e controlo por partes das autoridades.

O filme é todo ele suportado por um lado fortemente documental, nomeadamente na sua introdução que vai inserindo as personagens no contexto histórico, uma época onde reinava a discórdia entre policias e negros, que lutavam pelos seus direitos sociais e civis por toda a cidade de Detroit, até chegar ao episódio onde se centra o verdadeiro conteúdo moral desta história e daquilo que foram os eventos reais passados no Algiers Motel em 1967, , algo que acabaria por resultar na morte de três jovens negros e no sequestro e espancamento de outras nove pessoas. Alertados por um alegado tiroteio, depois de revistar o motel e verificar que um suposto sniper não se encontrava no local, um grupo de indivíduos das forças policiais, resolve submeter um grupo de jovens a um jogo mental aterrorizante, consequência do racismo e abuso de poder por parte de representantes da lei.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Crítica: Footloose . 1984


Directamente do universo dos teenage movies dos 80's, Footloose é dos mais queridos perante a malta que viveu a juventude durante essa época. Por mim, foi visionado apenas ontem pela primeira vez, e é daqueles que transmite, para quem não viveu a sua época, o feeling que marcou a era. O argumento pode ter defeitos, e a originalidade pode ser pouca, mas a sua energia contagia e também nós queremos soltar o bailarino que há em nós!

Quando Ren (Kevin Bacon), um rapaz sofisticado de Chicago chega à pequena cidade de Bomont, apaixona-se por Ariel (Lori Singer) filha do reverendo Shaw Moore (John Lighgow) que molda muitas das mentalidades da região. Ren tem estilo e adora dançar, comportamento abolido na cidade, interpretado como sinal de pecado, consumo de drogas e álcool. O jovem decide que é indispensável mudar mentalidades e quer organizar um baile, mas para isso terá de contrariar a vontade do reverendo, e também enfrentar algumas das figuras mais importantes da escola. Seguindo a tendência de filmes do género que saíram durante a época, Footloose assume-se como o filme de adolescentes que é, vive de momentos descontraídos e de humor que existem apenas para divertir e não para serem levados a serio, um tanto quanto a despreocupação típica de um adolescente.

domingo, 3 de setembro de 2017

flash review : The Hitman's Bodyguard . 2017


The Hitman's Bodyguard, de Patrick Hughes (2017)

Com uma premissa como a deste filme é certo que podemos apenas esperar, nada mais do que diversão. Ryan Reynolds e Samuel L. Jackson são os tipos perfeitos para dupla de filme do género, quase como se o cinema estivesse a pedir uma versão nova de Riggs e Murtaugh, cujo ritmo é inigualável, mas a tentativa desse objectivo, não é totalmente má. O carisma de ambos faz com que o fraco argumento se torne tolerável e a gargalhada seja fácil. Joaquim de Almeida faz de Joaquim de Almeida, Gary Oldman até dá dó vê-lo nisto e a Salma Hayek está fabulosa no seu mini-role. Perdi a conta de quantas vezes ouvi a palavra motherfucker, mas se formos bem a ver, é disto mesmo que o filme vive. Asneirada constante uma atrás da outra, mas os dois tipos com pinta arrebitam toda a coisa!

Classificação final: ★★½

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Crítica: Atomic Blonde - Agente Especial (Atomic Blonde) . 2017


WOW! Fico mesmo feliz quando sou surpreendida. Atomic Blonde é um misto de cultura pop, muita acção e sensualidade que fazem dele um dos filmes do Verão, daqueles que vale mesmo a pena perder tempo a ver durante a august silly season.

Adaptado do graphic novel "The Coldest City", de Antony Johnston, Atomic Blonde é um thriller de espionagem passado em Berlim antes da queda do murro. Lorraine Broughton (Charlize Theron) é uma agente secreta do MI5, à qual é atribuída a missão de descobrir quem assassinou um agente britânico que tinha em sua posse uma lista de nomes bastante importantes. Rapidamente Lorraine vê-se envolvida no teia de morte e traição, assim que mete os pés na cidade de Berlim, onde vai ao encontro do também espião David Percival (James McAvoy) que adquiriu métodos pouco ortodoxos, recorrentemente colocando em risco a missão. Cabe a Lorraine desvendar os mistérios escondidos pela Guerra Fria, usando as suas melhores tácticas e intuições. Quente como o fogo, fria como gelo, ela é a mistura bombástica que da alma a esta história.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

flash review : Beatriz at Dinner . 2017


Beatriz at Dinner, de Miguel Arteta (2017)

De ritmo lento, mas muito rico em conteúdo Beatriz at Dinner é um autentico prato gourmet. Recheado de significado e comentário social, o filme faz o contraste entre a era em que vivemos actualmente e o mundo dos que sobrevivem e lutam dia-a-dia por uma vida melhor. O confronto entre classes sociais é uma constante e não poderia estar mais bem inserido no estado em que o mundo se encontra actualmente. Com a imigração e os valores sociais e humanos constantemente em cima da mesa, John Lithgow e Salma Hayek são ambos personagens fortes, que sustentam os diálogos inteligentes e lhe dão a credibilidade necessária. Salma Hayek está fantástica, num papel muito poderoso e diferente do habitual, desprovida da vaidade e do glamour habitual, brilha numa interpretação simples, emotiva e com muita essência.

Classificação final: ★★★★