quinta-feira, 12 de abril de 2018

my (re)view: Peter Rabbit . 2018


Há lá coisa mais querida do que filmes com animais falantes!? Não. Mas são todos eles bons!? Nem pensar. Peter Rabbit é daquelas promessas que infelizmente cairá no esquecimento, pelo medo de arriscar e pela falta de criatividade com que chegou até ao grande ecrã. É certo que se baseia nos contos clássicos infantis de Belatrix Potter, mas assim como é super bem executado a nível visual, com um uso perfeito do live-action, esta história sobre um coelho do campo e das aventuras com a sua família, podia ter surpreendido mais se tivesse optado menos pela previsibilidade dos actos e talvez mais pelo lado sombrio e sincero das coisas naturais da vida e pelo sentimento de união e amizade. No que toca à animação as criaturas são super bem conseguidas, parecendo mesmo de verdade, assim como a interacção com os actores é perfeita, e algumas das cenas executadas com extremo cuidado visual. Mas é no que toca à escrita que perde muitos pontos. Sabe a mais do mesmo e apesar da doçura com que olhamos para os coelhinhos, falta-lhe muito do charme que por exemplo Paddington dentro do mesmo género, consegue transportar. Conhecendo os livros da sua autora original, acredito que não ficaria satisfeita. Quando a mim, é apenas mais um dentro da categoria do fofinho.

Classificação final: 3 estrelas em 5.

domingo, 8 de abril de 2018

CINEPHILA | Lethal Weapon (franchise)



Perdoem-me a extrema adoração com que escrevo este texto, mas a ligação a este franchise é deveras forte. Foi ainda enquanto criança que a minha relação com os Lethal Weapon começa, muito em parte por causa dos meus pais, e da quantidade de vezes que passávamos serões a visualizar em VHS aqueles que merecem ser aclamados como os melhores buddy cop movies de todos os tempos! Por vezes chego mesmo a pensar que uma grande parte da minha paixão por ver cinema, começa mesmo com essas memórias.

Martin Riggs e Roger Murtaugh nasceram assim da mente do argumentista e realizador Shane Black - que escreveu os dois primeiros segmentos do franchise - que combinava no seu argumento, e com perfeição, muita acção e suspense com doses elevadas de humor negro, que só podiam resultar com uma dupla implacável de actores. Mel Gibson e Danny Glover davam vida a dois policias bem caricatos, que nos davam a conhecer mais, para além das suas carreiras enquanto oficiais da lei. Ambos os personagens tinham profundidade, e essa foi uma das características que fizeram o sucesso destes filmes. O facto dos personagens serem bastante reais criava assim uma maior afectividade com o público, cuja vida profissional se cruzava com a vida pessoal de cada um, mostrando muito dos dilemas com que se debatiam nas suas vidas. É impossível negar a forte química que existe entre Gibson e Glover, que transparece para o outro lado do ecrã e faz com que qualquer um se relacione com eles. Riggs é explosivo, corajoso, com sede de justiça, apegado a um trauma que mexe com ele emocionalmente. Murtaugh é um veterano, calmo e cauteloso que quer apenas chegar a casa são e salvo todos os dias. E como os opostos se atraem, a loucura de um e a moderação de outro, criam uma combinação que fala por si só.


Richard Donner é o responsável pela realização dos quatro filmes do franchise, originando alguns dos mais engraçados momentos perfeitamente equilibrados a nível de tom e estilo. No primeiro filme (1987), ficamos a conhecer o que juntou estes dois homens. Ansioso pelo dia da sua reforma, o detective Roger Murtaugh vê-se a trabalhar com o muito mais novo e imprudente Martin Riggs da unidade de narcóticos. Os dois investigam o alegado suicídio de Amanda Hunsaker, filha de um empresário de negócios que esteve na guerra do Vietname com Murtaugh. No decorrer da investigação, ambos chegam à conclusão que Hunsaker está envolvido num esquema de tráfico de drogas liderado por um antigo general. No segundo filme (1989), durante uma perseguição, Riggs e Murtaugh dão de caras com um camião cheio de Sul-Africanos ilegais, que os leva a um perigoso caso de trafico humano. É aqui que conhecem o desbocado Leo Getz, aquele que se viria a transformar noutro dos maiores tesouros de Lethal Weapon, tesouro esse chamado Joe Pesci. Em 1992 e 1998 a aceitação pela crítica foi bastante inferior, mas o espírito dos personagens mantém-se o mesmo, apesar de ambos sofrerem de um argumento inferior.

Todas as histórias são bastante fáceis de perceber e desvendar, mas todas elas bebem bastante daquilo que Mel Gibson e Danny Glover conseguiram fazer com os seus personagens. Apesar de todos os aspectos positivos inerentes à obra no geral, o brilho de tudo isto nasce com a harmonia como estes personagens se conectaram entre si, pela forma como foram escritos e pela empatia que criam connosco. Pois celebram a cima de tudo a amizade e é essa forte amizade que suporta tudo o resto, sob a qual cada segmento assenta, amizade essa que Mel Gibson e Danny Glover cultivam até aos dias de hoje, não só entre si, mas também com todos nós. Adoro isto!

sexta-feira, 30 de março de 2018

my (re)view: Ready Player One . 2018


O meu entusiasmo por Ready Player One foi crescendo pela curiosidade de ver como Steven Spielberg conseguia inserir a cultura pop dos anos 80 num contexto futurista, que parecia querer misturar num sitio só, entusiastas do cinema e gamers. A verdade é que chegamos ao final do seu mais recente filme, com uma sensação de que nada de verdadeiramente impressionante acabou de acontecer. Afinal de contas, estamos perante mais uma aventura de um grupo de jovens carismáticos, cuja bravura leva avante um espírito de união. Passado num universo distópico, onde a maior parte das pessoas vive agarrada aos jogos de realidade virtual, Wade Watts (Tye Sheridan) é um jovem orfão viciado num jogo chamado OASIS, cujo criador James Halliday (Mark Rylance) escondeu alguns easter eggs (pequenas pistas) que poderão dar benefícios na vida real a quem as encontrar. No entanto essas pistas são também procuradas por Nolan Sorrento (o fantástico vilão Ben Mendelsohn) chefe de uma corporação que pretende dominar o mundo. Estamos assim perante um autentico festin de easter eggs atrás de easter eggs, onde a nostalgia nos domina e pretende dissimular do lado mau das coisas. É óptimo ver mencionadas muitas das coisas que mais adoramos, ou ver espalhadas por todos os lados referências pelas quais temos um certo carinho, mas não podemos deixar de constatar que os problemas de ritmo estão lá, o background de personagens não existe e que a narrativa não transita de forma fluída, sendo por vezes desregulada. Mas nem tudo é mau, e não posso deixar de referir, sem fazer spoiler, que a melhor sequência do filme é um magnifico tributo de Spielberg a Kubrick literalmente dentro de The Shining e que outra das coisas mais magnificas tem o nome de Olivia Cooke que prova mais uma vez que é uma promessa gigante. Sem dúvida que diverte, mas não satisfaz totalmente.

Classificação final: 3 estrelas em 5.

sexta-feira, 23 de março de 2018

my (re)view: Annihilation . 2018


O fenómeno Annihilation começou muito antes de sequer ter chegado a todo o público. Sendo um dos mais esperados desde ano, contendo imenso hype em torno da sua chegada, foi uma surpresa para todos saber que o novo sfi-ci de Alex Garland (Ex Machina) saltava a estreia no cinema directamente para as mãos da Netflix. Intitulado de demasiadamente intelectual e complexo para os gostos da maior parte das audiências, é sabido que a Paramount entrou em pânico assim que percebeu o que tinha em mãos. É pena, pois constata-se que Annihilation certamente se transformará em filme de culto, que se sente mais do que propriamente se revela concreto, dando origem a inúmeras teorias possíveis em torno do que estamos a observar. Uma experiência envolvente que nos absorve para dentro dela e nos incomoda pela facilidade com que nos agarra para dentro do desconhecido. A história é centrada numa bióloga (Natalie Portman) que está prestes a enfrentar o luto do marido (Oscar Isaac), quando misteriosamente sem aviso este reaparece. Depois dessas estranhas circunstancias, ela torna-se voluntária numa missão para explorar uma área secreta, que se encontra afectada por algum tipo de acontecimento inexplicável. A sensação de perigo está sempre à espreita e as boas performances do elenco contribuem bem para esse efeito. Talvez o seu único problema esteja ligado à quantidade de flashbacks que Garland lhe colocou, e de como estes interagem com a narrativa principal, mas que acabam por ser erro menor no meio de toda esta viagem. Não é de todo um filme fácil, mas esses são os filmes mais desafiadores. Os que nos deixam a pensar sobre eles e nos fazem trocar ideias.

Classificação final: 4,5 estrelas em 5.

quinta-feira, 15 de março de 2018

my (re)view: Tomb Raider . 2018


Tomb Raider não consegue fugir dos habituais problemas deste tipo de adaptação de video jogos para cinema, onde o argumento é fraco, os diálogos são pobres, as reviravoltas esperadas, mas a verdade é que vivemos esta experiência de forma bastante entusiasmante. Voltamos aqui às origens da jovem Lara Croft e sabemos perfeitamente que nada de mal lhe vai acontecer, mas vivemos cada dificuldade sua, cheios de emoção, intensidade e esse é exactamente o efeito que o jogo proporciona, cumprindo em parte aquilo que é devido. Alicia Vikander trás-nos uma Lara Croft menos sex symbol, muito mais aventureira, explorando de forma diferente aquilo que Angelina Jolie já havia explorado nas outras adaptações anteriores. Que Vikander é bastante competente já sabemos, vê-la neste papel bastante diferente do que costuma fazer e desafiador, mas o argumento dá-lhe obviamente pouco com que trabalhar e isso faz com que momentos mais emotivos não retenham da nossa parte tanta importância como os momentos de grande acção. Walton Goggins infelizmente não tem tempo suficiente para demonstrar o quão bom vilão pode ser, e isso é também um dos pontos fracos deste filme. Definitivamente cumpre com o entretenimento, quer por parte das cenas de acção como pelos cenários e efeitos visuais que são bastante competentes, abrindo no final as portas para continuidade dentro deste reboot. Não duvido que consiga, certamente os valores de bilheteira vão falar por si só. Assim que o filme terminou ficou a dúvida na minha cabeça: se isto é mau, então porque é que eu gostei!? Será que afinal é bom? Não merece positiva em geral, mas há que registar que o feeling requerido está lá todo.

Classificação final: 2,5 estrelas em 5.

sábado, 10 de março de 2018

my (re)view: Black Panther . 2018


[Em primeiro lugar, fica aqui a confissão que foi a banda sonora do albúm Black Panther de Kendrick Lamar que me levou mesmo a querer ver este filme.] Black Panther causou curiosidade, aquando da sua aparição em Captain America: Civil War e aqui estamos apenas concentrados em si, perante o seu background, que sim, segue o estilo Marvel habitual (nada de novo nisso) mas onde a qualidade do elenco é o que na realidade sustenta todo o filme, tornando-o tolerável e interessante. Personagens carismáticos, resultam graças às boas performances, mas o filme sofre de problemas de ritmo, com cenas demasiado longas, e outras que até poderiam ter sido mais exploradas. Uma história feita de altos e baixos com alguns buracos no plot, onde o CGI é rei, definitivamente a aposta forte neste tipo de universo como já sabemos, mas que por vezes cai demasiado no típico exagero ao estilo jogo de computador. Os problemas de ritmo são sem dúvida o que podemos destacar de pior e acho cada vez mais que a duração destes filmes Marvel é exagerada. Queria mais Andy Serkis que faz falta em estado "normal" e é de destacar a realização de Ryan Coogler, que surpreende uma vez mais com ideias extremamente bem executadas e cenas impecavelmente ensaiadas. Um dos aspectos mais curiosos não deixa de ser a mensagem a passar, talvez a mais forte e significativa de todos os filmes do universo Marvel, onde a visão politica, moralista, capitalista e de descriminação social, existem e têm tanto poder, como os poderes dos seus super heróis.

Classificação final: 3,5 estrelas em 5.